Em primeiro lugar, gostaria de destacar que qualquer glamour que possa aparecer nesse relato é posterior a ele. Estar em trabalho de parto me fez sentir muito mulher, na essência da palavra. Fêmea mesmo.
Dia 16 de junho de 2010. 40 semanas e dois dias de gestação e muita ansiedade. Acordei com uma forte dor no estômago, náuseas e vomitando muito. Quis lembrar o que teria comido pra me fazer tão mal assim, mas nada de diferente havia na minha rotina do dia anterior. Vomitei muito, absolutamente tudo que havia no meu estômago. Além disso, eu percebi que tinha um sangramento semelhante ao de uma menstruação. Meu marido ficou um tanto assustado e resolveu ligar para o meu obstetra, que falou: pode ser o corpo dela “limpando”, se preparando.
Foi-nos sugerido procurar a emergência do hospital para diminuir o mal estar. E fomos, porque eu sentia muita dor no estômago e absolutamente nada parava dentro dele. Meu obstetra foi até lá, me examinou e verificou: nenhuma dilatação, o que eu estava sentindo poderia até ser um trabalho de parto latente, mas, segundo ele, os sintomas poderiam cessar e minha filha nascer dali a uma semana, por exemplo. Ou poderia ser dali a algumas horas...
Depois de receber hidratação venosa, algo que aliviasse a dor no estômago e um protetor gástrico, fui liberada para ir pra casa. Chegando em casa, comecei a sentir dores abdominais e pensei : “hum, acho que agora começou”. Fiquei numa espécie de topor, tentando adormecer, mas sentindo contrações que ora ficavam próximas, ora mais espaçadas. Eram suportáveis, mas incomodas. Não sei a que horas exatamente cheguei em casa, mas já passava das 14 horas. Não conseguia me alimentar, então o jeito que meu corpo encontrou para poupar energia para o parto foi ficar letárgico, trazer-me um sono incomum. Aproveitei e dormi o quanto pude entre uma e outra contração.
Chegou a noite e meu marido, que o tempo todo esteve junto, tentando dar assistência, começou a ficar angustiado por eu não conseguir me alimentar. Tentei gelatina, água de coco, papinhas industrializadas para bebês, mas nada parava no estômago. Resolvi parar de brigar com a natureza e desisti de me alimentar. Meu marido decidiu entrar em contato com o meu obstetra, mesmo eu dizendo a ele que não precisava, que ainda não estava na hora. Pois bem, mesmo assim ele ligou e o médico pediu que fôssemos até o consultório. Mesmo com dores, frio e debaixo de chuva eu aceitei ir, queria saber a quantas andava o processo.
Chegamos no consultório por volta das 19 horas. Depois de ser examinada, fiquei bastante decepcionada com o que ouvi do médico: apesar do útero estar “amolecido”, bebê mais baixo, eu não estava nem com 1 centímetro de dilatação ainda. O trabalho de parto poderia demorar horas, avisou o médico. Sai de lá decidida a só ir ao hospital na manhã seguinte.
Voltando pra casa, as contrações – e as dores – se tornaram mais intensas, embora eu ainda conseguisse um pouco de serenidade entre uma contração e outra. Minha mãe chegou, trazida pelo meu irmão e minha cunhada; minha sobrinha de dois aninhos veio junto e até consegui dar um beijinho nela no intervalo das contrações.
Eu queria muito a presença de uma doula em meu trabalho de parto, mas precisei me arranjar comigo mesma. Meu lugar preferido durante as contrações era a cadeira de balanço, ou uma caminhada pelo corredor de casa. Luzes apagadas, claro. Eu nem sabia, mas já estava em trabalho de parto ativo.
As 22 horas meu marido e minha mãe sugeriram que eu aceitasse ir ao hospital. Eu, a princípio, relutei. Não queria. Mas as dores estavam intensas, contrações próximas (cerca de 2 a 3 minutos de intervalo) e estavam bastante regulares. Aceitei, decidi que iríamos sim. Capítulo a parte foi esperar o táxi: dia de chuva, àquela hora, demorou cerca de 40 a 50 minutos pra chegar. Durante as contrações eu gritava e reclamava da vida, mas dentro do táxi me comportei "muito bem", para não assustar o taxista; apenas apertava a mão da minha mãe e tentava não brigar com a contração, algo que me parecia impossível. Eu simplesmente esqueci que precisava respirar durante a contração. Como me fez falta uma doula!
Ao chegar no hospital, música para os meu ouvidos: o médico plantonista disse que eu estava com 7 centímetros de dilatação! Ah, que maravilha! Trabalho de parto ativo, tudo indo muito bem, obrigada! E ainda com alguma consciência entre as contrações! O médico plantonista pediu que entrasse em contato com o “meu” médico, mas ele já estava à caminho. Eu mesma pedi ao médico plantonista que avisasse à equipe do PPP do hospital que se preparasse, meu parto seria lá. Assim foi feito.
Minutos depois chegou meu obstetra. Eu estava com muito medo da intensidade das dores ficar maior, afinal a bolsa ainda não havia rompido e eu receei que a situação fugisse do meu controle (lúcido). Pedi analgesia. Eu tentei não brigar com as contrações, tentei respirar, tentei levar numa boa, mas não deu, não consegui. Infelizmente não havia fisioterapeuta no plantão, não consegui nem entrar na banheira e nem no chuveiro durante as contrações, nem vi a bola, nada.
Fui ao centro obstétrico do hospital para receber analgesia. O processo foi relativamente demorado, cerca de 40 a 50 minutos, afinal as contrações estavam bem próximas. Eu, no meu íntimo, clamava para que a analgesia funcionasse bem para poder conseguir dar conta do restante do processo. Como mágica, depois dos minutos todos que esperei, a dor deu lugar apenas às contrações. Ufa! Bem, como eu estava desidratada precisei receber soro. Tive receio que isso me limitasse para o restante do trabalho de parto, mas felizmente não atrapalhou. Ao final da analgesia, observei um relógio que havia na parede: meia noite. “Isis não nascerá mais no dia 16 de junho”, falei. Novo exame antes de sair do centro obstétrico: 8 centímetros! A bolsa rompeu e foi bom sentir aquele líquido quente escorrendo! Felizmente eu já havia recebido analgesia, assim o medo não atrapalhou o andamento do restante do trabalho.
De volta ao PPP, minha mãe e meu marido ficaram comigo o tempo todo a partir daí. Ah, achei a bola! Lembrei que alguns movimentos na bola poderiam ajudar a dilatar o restante que faltava. Fiquei na bola durante todo o restante do TP. Não havia mais dor, mas eu sentia nitidamente as contrações. É bem verdade que elas ficaram um pouco mais fracas depois da analgesia, mas eu ainda podia senti-las. Depois de um tempo comecei a sentir um “peso” no canal vaginal. Falei pro médico, que sugeriu que avaliássemos.
Ok, 10 centímetros, dilatação total! Mesmo sob efeito da analgesia, dilatei 2 centímetros em cerca de 1 hora, um pouco mais ou um pouco menos. No PPP do hospital existe uma cama que proporciona a posição semi-vertical e foi assim que fiquei nos próximos minutos. A posição era bastante confortável. Como as contrações ficaram menos intensas, acabei por receber 1 ampola de ocitocina (a contragosto, mas foi a a primeira parcela do preço que paguei pela analgesia). Não senti dor, mas as contrações ficaram um pouco mais fortes.
A partir daí, entrei na “partolândia”, não me lembro muito bem do que aconteceu. Eu sentia vontade de gritar toda vez que sentia uma contração. Sentia vontade de fazer força quando elas vinham. Não consigo lembrar do que acontecia fora de mim naquele momento. Toda minha memória dessa ocasião parece estar em câmera lenta, ou como se fossem fotografias, em flash. Lembro apenas do médico dizendo que eu estava indo bem, que Isis estava chegando. Aí veio a segunda prestação do preço que paguei pela analgesia: epsiotomia! Eu não sabia muito bem pra onde direcionar a força. Faltando duas contrações pra Isis chegar, ganhei a epsio, mesmo me esforçando muito para que ela não fosse “necessária”. Diante das circunstâncias, aceitei e deixei o resto do processo acontecer.
Mais uma contração e ela coroou. Ah, o círculo de fogo! Senti, e como senti! Não houve analgesia do mundo que me tirasse a possibilidade de sentir aquela sensação tão intensa. Outra contração e senti passar a cabeça, em seguida os ombros. Depois o corpinho. Que coisa boa sentir o corpo dela passar!
De repente olho em volta, atônita e me dei conta: nasceu, ela nasceu! Meu marido chorava! Que sensação louca! Ela veio pros meus braços do jeitinho que nasceu, ficou durante alguns minutos. Conversei com ela, senti seu cheiro. Depois levaram ela para os cuidados neonatais (fui muito mole em meu plano de parto com relação a isso, minha filha sofreu muitas intervenções). Eu perguntei, claro: “quando ela vai mamar?” “Daqui a pouco”. Depois de cerca de 30 minutos ela voltou para meus braços e pode, enfim, mamar e receber meu calor.
Minha pequena nasceu a 1h56min do dia 17 de junho de 2010, 40 semanas e 3 dias de gestação, com 3kg165g, 49 centímetros, apgar 9/10 e capurro de 40 semanas. Muito saudável e perfeita. Num parto que foi uma grande vitória. Que também foi perfeito para a Anne que existia até então. Que existia. Agora sou outra pessoa. As mudanças que experimentamos depois de parir, os cuidados com nosso bebê, o reaprender a viver, definitivamente, nos transformam em outra pessoa. Isis nasceu. Eu renasci.
Nasceu aquela a quem dedico esse espaço, aquela mesmo que só existia em meus planos, tomou forma em meu ventre(e domina meus pensamentos e planos) Ao meu bebê: TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
40 semanas
Eu pensei que estaria mais tranquila, esperando docemente, mas ao contrário disso não vejo a hora de receber nos meus braços o sonho que venho embalando há muito mais de 9 meses (pois minha pequena foi gestada no cérebro antes de sugir no meu ventre).
Não quero que as coisas aconteçam nem antes de nem depois do tempo apropriado. Quero que minha filha chegue plana, no dia que escolher e desejar. Será um dia muito feliz, um dia esperado, sonhado, desejado. Não estou cabendo em mim de felicidade por saber que em dias - ou quem sabe horas - receberei o maior presente que o amor pode dar.
Está tudo pronto, agora só falta você, filha! Estamos esperando! Pode vir! Vamos te receber com muito amor aqui, do lado de fora do ventre da mamãe. Amamos você!
Não quero que as coisas aconteçam nem antes de nem depois do tempo apropriado. Quero que minha filha chegue plana, no dia que escolher e desejar. Será um dia muito feliz, um dia esperado, sonhado, desejado. Não estou cabendo em mim de felicidade por saber que em dias - ou quem sabe horas - receberei o maior presente que o amor pode dar.
Está tudo pronto, agora só falta você, filha! Estamos esperando! Pode vir! Vamos te receber com muito amor aqui, do lado de fora do ventre da mamãe. Amamos você!
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Esperando
Estamos com quase 40 semanas. Completaremos segunda-feira. Ao contrário do que muitos possam imaginar, não estou tão curiosa quanto poderia com relação à cor dos olhos da filhota, se terá muito ou pouco cabelo e nem se parecerá comigo ou com o pai.
Na verdade não é pressa o que me faz pensar no parto. Eu penso em como e quando nosso momento chegará. Tenho algumas coisas idealizadas. Sonho com um trabalho de parto que pode até ser intenso, "doloroso", mas que não seja extremamente demorado. Nem é falta de paciência minha, é receio que, na hora P, acabe sendo pressionada a fazer um procedimento cirúrgico por "sofrimento médico". Quero muito que o tempo do nascimento seja respeitado, mas sei o quanto é difícil, por isso converso muito com minha filhinha e comigo mesma, pra que tudo aconteça num tempo rasoável.
A emoção que - imagino - sentirei no nascimento de meu rebento é o que mais tem recheado meus dias e meus pensamentos nas últimas semanas. Cada movimento mais intenso, cada puxo ou fisgadinha na barriga tem sido motivo de muita alegria. Sim, desejo ardentemente sentir a "dor" do parto. Assim, entre aspas, porque passei a acreditar piamente que chamamos de dor por convenção, por medo, mas que o parto pode ser uma experiência prazerosa. Quem disse que não? Quem inventou que parto não combinado com prazer? Prazer de trazer à luz um novo ser. Prazer de gerar uma vida. Vida desejada, planejada. Isso pra mim não pode ser penoso, é motivo de alegria e alegria não rima com dor.
Quero muito, muito mesmo, vivenciar essa experiência. Sentir meu ventre contraindo-se, meu corpo abrindo caminho para minha descendente chegar ao mundo. É fantástico saber que o parto começa no bebê, no cérebro dele, que faz com que meu corpo desperte também hormônios para que nossos corpos trabalhem juntos. É impressionante a perfeição desse acontecimento. É, é assim que acontece (leiam sobre isso aqui: hormônios do parto)!
Minha cabeça está focada na chegada da minha filha. Tudo o mais tenho deixado, meio sem querer, em segundo plano. Encerro essa postagem aqui porque preciso terminar um trabalho. O último pra sair de licença sem pensar em trabalho. Quero dedicar-me exclusivamente à minha filha, pelo menos até quando minha licença permitir. Quero mergulhar de cabeça na maternidade.
Na verdade não é pressa o que me faz pensar no parto. Eu penso em como e quando nosso momento chegará. Tenho algumas coisas idealizadas. Sonho com um trabalho de parto que pode até ser intenso, "doloroso", mas que não seja extremamente demorado. Nem é falta de paciência minha, é receio que, na hora P, acabe sendo pressionada a fazer um procedimento cirúrgico por "sofrimento médico". Quero muito que o tempo do nascimento seja respeitado, mas sei o quanto é difícil, por isso converso muito com minha filhinha e comigo mesma, pra que tudo aconteça num tempo rasoável.
A emoção que - imagino - sentirei no nascimento de meu rebento é o que mais tem recheado meus dias e meus pensamentos nas últimas semanas. Cada movimento mais intenso, cada puxo ou fisgadinha na barriga tem sido motivo de muita alegria. Sim, desejo ardentemente sentir a "dor" do parto. Assim, entre aspas, porque passei a acreditar piamente que chamamos de dor por convenção, por medo, mas que o parto pode ser uma experiência prazerosa. Quem disse que não? Quem inventou que parto não combinado com prazer? Prazer de trazer à luz um novo ser. Prazer de gerar uma vida. Vida desejada, planejada. Isso pra mim não pode ser penoso, é motivo de alegria e alegria não rima com dor.
Quero muito, muito mesmo, vivenciar essa experiência. Sentir meu ventre contraindo-se, meu corpo abrindo caminho para minha descendente chegar ao mundo. É fantástico saber que o parto começa no bebê, no cérebro dele, que faz com que meu corpo desperte também hormônios para que nossos corpos trabalhem juntos. É impressionante a perfeição desse acontecimento. É, é assim que acontece (leiam sobre isso aqui: hormônios do parto)!
Minha cabeça está focada na chegada da minha filha. Tudo o mais tenho deixado, meio sem querer, em segundo plano. Encerro essa postagem aqui porque preciso terminar um trabalho. O último pra sair de licença sem pensar em trabalho. Quero dedicar-me exclusivamente à minha filha, pelo menos até quando minha licença permitir. Quero mergulhar de cabeça na maternidade.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Amigos virtuais?
Mina filha chegará em uma época na qual o mundo é, ao mesmo tempo, gigante e minúsculo. Depois da internet, as relações mudaram. Aliás, sem internet ela nem teria sido gerada. Calma, ela não fiz download dela não, mas eu e o papai dela nos conhecemos há 10 anos em uma sala de bate-papo da UOL. =) Faz tempo, hihihi!
Aprendi muito, mas muito mesmo sobre gestar, parir e maternar aqui mesmo, na internet. Conheci pessoas valiosíssimas, sem as quais nem sei como teria passado certas situações da minha vida. Muitas vezes a tela do computador foi minha companheira. Aliás, a tela nada, tela é fria, não tem sentimentos. Quem segurou muitas barras minhas foram as pessoas de carne e osso lá do outro lado da tela. Não posso citar nomes, eu seria muito injusta.
Através da internet conheci muita gente que luta pelas mesmas causas que eu, que tem buscas e aspirações semelhantes às minhas. Graças à internet deixei, determinadas vezes, de me sentir um ET por pensar diferente. Encontrei pares. Também achei pessoas muito diferentes de mim, mas que me fizeram crescer também, aprender.
Acho que posso afirmar que meu ciclo de amigos da internet, se não for maior que os presenciais, é no mínimo equivalente. Claro, é preciso ter critérios pra se deixar conhecer e relacionar com pessoas que estão longe, mas os de perto também podem trazer decepções. Então distância não me assusta, não me faz menos crente nas pessoas. Talvez mais criteriosa, mas isso com os de perto também.
Esse papo todo é pra agradecer as pessoas que demonstram carinho por mim e por minha filhota todos os dias. Através de palavras e de gestos. No comecinho da gestação ganhei um presente lindo, um CD enviado pela amiga Luzinete, seu esposo Renato e seu bebê Francisco. Melodias de ninar com sons do útero ao fundo. Os sons me vêm à mente quando falo no CD, rsrsrs.
Acabo de receber agora uma caixinha cheia de presentinhos pra minha pequena. Mas não são os presentes que encantam, apesar de lindos. É o carinho, sabe? Saber que cada coisinha que foi enviada foi escolhida por alguém que se interessa por mim e pela minha pequena foi encantador. Foi um grupo de A.M.I.G.A.S. que me enviou.
Acabo de receber agora uma caixinha cheia de presentinhos pra minha pequena. Mas não são os presentes que encantam, apesar de lindos. É o carinho, sabe? Saber que cada coisinha que foi enviada foi escolhida por alguém que se interessa por mim e pela minha pequena foi encantador. Foi um grupo de A.M.I.G.A.S. que me enviou.
Gente, obrigada demais por tudo: pela força, pelo carinho, pelas palavras, pela amizade. Essa carga de endorfina que a filhota acaba de receber... não tem preço e nem presente que pague! Foi o carinho que me fez ficar emocionada!
A caixinha e os presentes enviados pelas amigas de longe... e de perto, de dentro do coração.
sábado, 5 de junho de 2010
Paciência, muita mesmo...
Tenho aprendido, depois de grávida, que há coisas que não podemos controlar. É bem verdade que isso por conta das minhas escolhas. Decidi, por exemplo, que minha filha virá no tempo dela, o que significa esperar e ter paciência.
Aliás, paciência é sobrenome de mãe. Mas também a depender das escolhas que fizer. Pretendo não oferecer bicos artificiais (chuquinhas, mamadeiras, chupetas - embora a avó tenha comprado duas); quero amamentar em livre demanda e dar muito, muito colo, viver grudada com minha filhota.
Engraçado, há pessoas que se importam com criança que passa muito tempo no colo, mas não com as que crescem com uma chupeta na boca. Há quem se preocupe em criticar amamentação prolongada, mas ninguém se admira de quem consome leite de outro animal, mesmo anos depois do desmame (que outro animal além do homem consome leite até a idade adulta - e de outra espécie?).
Minha filha vai experimentar sling, banho de balde, amamentação em livre demanda e exclusiva por 6 meses (depois prolongada, mesmo com a introdução de outros alimentos), muito colinho do mãe e do pai. Vai dormir bem pertinho de mim. Se é o melhor, se isso é modelo? Não sei! Mas acho que são opções que couberam pra mim e vou adotá-las seguindo meu instinto.
A gente quando decide ser mãe tem que ter muuuuuita paciência. Mas muita paciência messsssssmo. Talvez mais paciência com a opinião alheia do que com o próprio bebê.
Aliás, paciência é sobrenome de mãe. Mas também a depender das escolhas que fizer. Pretendo não oferecer bicos artificiais (chuquinhas, mamadeiras, chupetas - embora a avó tenha comprado duas); quero amamentar em livre demanda e dar muito, muito colo, viver grudada com minha filhota.
Engraçado, há pessoas que se importam com criança que passa muito tempo no colo, mas não com as que crescem com uma chupeta na boca. Há quem se preocupe em criticar amamentação prolongada, mas ninguém se admira de quem consome leite de outro animal, mesmo anos depois do desmame (que outro animal além do homem consome leite até a idade adulta - e de outra espécie?).
Minha filha vai experimentar sling, banho de balde, amamentação em livre demanda e exclusiva por 6 meses (depois prolongada, mesmo com a introdução de outros alimentos), muito colinho do mãe e do pai. Vai dormir bem pertinho de mim. Se é o melhor, se isso é modelo? Não sei! Mas acho que são opções que couberam pra mim e vou adotá-las seguindo meu instinto.
A gente quando decide ser mãe tem que ter muuuuuita paciência. Mas muita paciência messsssssmo. Talvez mais paciência com a opinião alheia do que com o próprio bebê.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Carta da Nona Lua - O parto tem seu próprio tempo
por Flávia em 09/05/2010 (do Projeto Maternidade Consciente)
Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.
Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora. Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós. Desejo-te.
Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo. Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura.Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.
Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem. Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!
Tempo e Espaço
O Parto tem seu próprio tempo
Tempo frugal
Tempo sem pressa
Tempo que se acha
Tempo que se dá
Tempo que procria
Tempo que se cria
Tempo que se cri- ança
Tempo que se cansa
Tempo que se dança
Tempo que deságua
Tempo sem mágoa
Tempo que demora
É tempo sem hora…
O parto tem seu próprio espaço
Espaço sem lugar
Espaço de esperar
Espaço que se faz
Espaço que se abre
Espaço que se tem
Espaço que contém
Espaço que se dança
Espaço que se água
Espaço que se bola
Espaço que rebola
Espaço que se embola
Espaço de ir embora
É espaço de ir, em boa hora
Tempo sem drama
Espaço de trama
Hora de criança
Lugar de mulher
Autora: Flávia Penido
Recebi o link do texto acima pela própria autora, que parece ter lido meus pensamentos antes de escrevê-lo. Me fez chorar de tão lindo, tão expressivo. Como se eu mesma tivesse escrito, do tanto que penso igual...
Recebi o link do texto acima pela própria autora, que parece ter lido meus pensamentos antes de escrevê-lo. Me fez chorar de tão lindo, tão expressivo. Como se eu mesma tivesse escrito, do tanto que penso igual...
Coragem pra amamentar exclusivamente durante 6 meses
Sempre acreditei na amamentação e desejei amamentar antes mesmo de engravidar. Deve ser algo mágico continuar provendo vida ao seu filho mesmo depois dele nascido e não quero privar minha pequena disso. Sou mamífera e ela vai mamar!
A questão é que trabalho. Apesar da licença estendida (de seis meses) eu ficava preocupada com a introdução de outros alimentos justamente no meu período de retorno ao trabalho.
Hoje, porém, navegado pelo orkut, encontrei um texto escrito pelo Dr Gonzales que me serviu como tranquilizador. Decidi por antecipação, então, que não irei privar minha filha de 6 meses de leite materno não. Quando voltar a trabalhar, darei o meu jeito (mãe sempre dá um jeito, né?).
Ah, o texto foi "encontrado" na comunidade Grupo Virtual de Amamentação. É este aqui:
A questão é que trabalho. Apesar da licença estendida (de seis meses) eu ficava preocupada com a introdução de outros alimentos justamente no meu período de retorno ao trabalho.
Hoje, porém, navegado pelo orkut, encontrei um texto escrito pelo Dr Gonzales que me serviu como tranquilizador. Decidi por antecipação, então, que não irei privar minha filha de 6 meses de leite materno não. Quando voltar a trabalhar, darei o meu jeito (mãe sempre dá um jeito, né?).
Ah, o texto foi "encontrado" na comunidade Grupo Virtual de Amamentação. É este aqui:
Quando a mãe trabalha fora
Estou preocupada porque meu filho de três meses não aceita a mamadeira. Já tentamos toda sorte de bicos e diferentes fórmulas. O pediatra me disse para parar de amamentar, para que ele possa se acostumar à mamadeira, mas ele ficou os últimos três dias sem comer e continua não querendo. Eu voltei a amamentá-lo, mas agora não tenho mais leite suficiente e ele parece faminto após a mamada. O que posso fazer para ele aceitar a mamadeira? Irei retornar ao trabalho em breve e eu preciso desmamá-lo antes disso.
Essa mãe foi vítima de dois erros freqüentes envolvendo amamentação ao trabalho.
O primeiro erro foi fazê-la acreditar que ela precisava desmamar seu filho antes de retornar ao trabalho. Isso não é necessário. Na pior das hipóteses, ela poderia tentar uma alimentação mista: amamentar antes e depois do trabalho e oferecer leite artificial quando ausente. Todas as crianças (e todas as mães) vivenciam um período difícil quando elas precisam se separar por causa do trabalho, e a amamentação pode ser um maravilhoso caminho entre a separação e o reencontro. Muitas mães encontram soluções satisfatórias melhores que oferecer fórmula: muitas levam seus bebês para o trabalho, outras trabalho compartilhado, algumas conseguem que o bebê seja levado a elas para serem amamentados, outras ordenham e estocam seu leite. Melhor ainda, se seu bebê já tiver idade para introdução dos sólidos, deixe que seu bebê se alimente de comida na sua ausência (esta é uma exceção para a regra geral de amamentar o bebê antes de oferecer os primeiros sólidos).
Essa mãe foi vítima de dois erros freqüentes envolvendo amamentação ao trabalho.
O primeiro erro foi fazê-la acreditar que ela precisava desmamar seu filho antes de retornar ao trabalho. Isso não é necessário. Na pior das hipóteses, ela poderia tentar uma alimentação mista: amamentar antes e depois do trabalho e oferecer leite artificial quando ausente. Todas as crianças (e todas as mães) vivenciam um período difícil quando elas precisam se separar por causa do trabalho, e a amamentação pode ser um maravilhoso caminho entre a separação e o reencontro. Muitas mães encontram soluções satisfatórias melhores que oferecer fórmula: muitas levam seus bebês para o trabalho, outras trabalho compartilhado, algumas conseguem que o bebê seja levado a elas para serem amamentados, outras ordenham e estocam seu leite. Melhor ainda, se seu bebê já tiver idade para introdução dos sólidos, deixe que seu bebê se alimente de comida na sua ausência (esta é uma exceção para a regra geral de amamentar o bebê antes de oferecer os primeiros sólidos).
Quando você sai para o trabalho (ou quando sai com o cachorro), o seu bebê não sabe onde você está e quanto tempo você vai demorar. Ele ficará muito assustado e chorará como se você fosse deixá-lo para sempre. Vai levar alguns anos até que seu bebê seja capaz de ficar longe de você sem chorar e antes que ele entenda que a “mamãe vai voltar logo”. Toda vez que você voltar, vai abraçá-lo, amamentá-lo e o bebê pensará: “outro alarme falso!”. Mas se você retornar ao trabalho e tentar desmamá-lo abruptamente e ao mesmo tempo, quando você volta do trabalho, o bebê pede para mamar e você recusa, o que o bebê irá pensar? “Ela me abandonou porque não gosta mais de mim.” Esse é o pior momento para o desmame.
O segundo erro foi acreditar que o bebê precisa de uma mamadeira (ou sólidos, o que é menos pior) quando você retorna ao trabalho, e você deve acostumá-lo com uma primeiro. Se você treiná-lo a acostumar-se com uma mamadeira, a única coisa que você vai conseguir é arrumar encrenca: ao invés de quatro meses de amamentação exclusiva, você terá três. Mas o que é mais relevante aqui, como a gente viu no exemplo acima, o bebê muitas vezes recusa a mamadeira. Ainda que a mãe ordenhe seu leite e tente dar na mamadeira, muitos bebês recusam.
O segundo erro foi acreditar que o bebê precisa de uma mamadeira (ou sólidos, o que é menos pior) quando você retorna ao trabalho, e você deve acostumá-lo com uma primeiro. Se você treiná-lo a acostumar-se com uma mamadeira, a única coisa que você vai conseguir é arrumar encrenca: ao invés de quatro meses de amamentação exclusiva, você terá três. Mas o que é mais relevante aqui, como a gente viu no exemplo acima, o bebê muitas vezes recusa a mamadeira. Ainda que a mãe ordenhe seu leite e tente dar na mamadeira, muitos bebês recusam.
a razão é que os bebês não são bobos. Se a mãe não está em casa e a avó vem com uma mamadeira (ou melhor ainda, com um copinho para evitar confusão de bicos), duas coisas podem acontecer. Primeiro, se o bebê não estiver com fome, ele provavelmente não aceitará nada. Ele vai compensar isso quando a mãe retornar. Muitos bebês dormem a maior parte do tempo quando estão distantes das mães, e então vão mamar à noite. A outra possibilidade é, se o bebê estiver com fome (e especialmente se tiver leite materno na mamadeira), ele poderá tomá-la e pronto. E ele deve estar pensando: “Bem, ela não está aqui, então é isso que eu tenho que fazer.”
Mas se mãe está em casa e o bebê pode ver e sentir o peito, como ele vai aceitar um copinho ou mamadeira? Ele deve pensar: “Minha mãe deve estar louca, ela tem o peito aqui e quer me dar essa geringonça?” E ele insiste: “É o peito ou nada!”
Do livro My child won´t eat!, do Dr. Carlos González
Mas se mãe está em casa e o bebê pode ver e sentir o peito, como ele vai aceitar um copinho ou mamadeira? Ele deve pensar: “Minha mãe deve estar louca, ela tem o peito aqui e quer me dar essa geringonça?” E ele insiste: “É o peito ou nada!”
Do livro My child won´t eat!, do Dr. Carlos González
terça-feira, 1 de junho de 2010
Junho chegou...
A chegada da primavera foi perceptível: um lindo sol, dias frescos e ventilados... foi a época que minha filha escolheu pra chegar no meu ventre. Inesquecível a primavera de 2009.
O tempo passou, chega junho. Em breve chega também o inverno. Os dias frios não chegam na minha cidade, pois estamos significativamente próximos à linha do Equador. O tempo está quente, mas os dias têm amanhecido nublados, alguns até chuvosos. As vezes, porém, o sol se sustenta com temperaturas que ultrapassam facilmente os 30º!
O finzinho da minha gestação está como a chegada desse inverno, sabe? Chega meio sem querer chegar, como quem tenta se preparar melhor. Ou como quem nem tenta, como quem não se preocupa com essa coisa de calendário. Quem disse que o inverno tem que chegar em tal dia de tal mês? E quem disse que tem que ser assim como um bebê que se aproxima.
Não é! Com nenhum dos dois casos! É natureza, e natureza a gente não controla. No máximo tenta administrar, entender. Mas é ela quem manda.
Estou muito inquieta. Não sei se já comentei aqui, mas minha ansiedade não é para que minha amada primogênita chegue. Eu deixo o dia e a hora por conta dela. Minha agonia é por não poder determinar o quando e o como isso irá acontecer.
Não me arrependo da minha escolha, de desejar um parto normal e o mais humanizado quanto seja possível. Mas essa escolha está sendo um desafio à necessidade que tenho de exercer controle sobre tudo na minha vida. Parece que, se eu não domino e prevejo cada segundo do que acontecerá as coisas me dominarão e não o contrário.
Ficar pensando nisso está me fazendo sofrer, me trazendo uma angústia indescritível. Preciso parar de tentar racionalizar sobre tudo, acabar com essa coisa de planejar absolutamente tudo. E aprender a relaxar, a me entregar mais ao momento, a deixar as coisas acontecerem, se construírem... deixar de ser controladora deve ser um bom exercício para a maternidade, né?
Quero conseguir me entregar mais, pensar menos. Já li bastante, já me informei, busquei ajuda (e encontrei muitos ombros - e olhos e dedos/via net - solidários). Por que então ser tão implicante? Pra que querer tanto controlar tudo? Quero respirar, pisar na areia da praia, dormir, relaxar. Quero me encontrar pra poder encontrar-me, em breve, com a minha pequenina...
O tempo passou, chega junho. Em breve chega também o inverno. Os dias frios não chegam na minha cidade, pois estamos significativamente próximos à linha do Equador. O tempo está quente, mas os dias têm amanhecido nublados, alguns até chuvosos. As vezes, porém, o sol se sustenta com temperaturas que ultrapassam facilmente os 30º!
O finzinho da minha gestação está como a chegada desse inverno, sabe? Chega meio sem querer chegar, como quem tenta se preparar melhor. Ou como quem nem tenta, como quem não se preocupa com essa coisa de calendário. Quem disse que o inverno tem que chegar em tal dia de tal mês? E quem disse que tem que ser assim como um bebê que se aproxima.
Não é! Com nenhum dos dois casos! É natureza, e natureza a gente não controla. No máximo tenta administrar, entender. Mas é ela quem manda.
Estou muito inquieta. Não sei se já comentei aqui, mas minha ansiedade não é para que minha amada primogênita chegue. Eu deixo o dia e a hora por conta dela. Minha agonia é por não poder determinar o quando e o como isso irá acontecer.
Não me arrependo da minha escolha, de desejar um parto normal e o mais humanizado quanto seja possível. Mas essa escolha está sendo um desafio à necessidade que tenho de exercer controle sobre tudo na minha vida. Parece que, se eu não domino e prevejo cada segundo do que acontecerá as coisas me dominarão e não o contrário.
Ficar pensando nisso está me fazendo sofrer, me trazendo uma angústia indescritível. Preciso parar de tentar racionalizar sobre tudo, acabar com essa coisa de planejar absolutamente tudo. E aprender a relaxar, a me entregar mais ao momento, a deixar as coisas acontecerem, se construírem... deixar de ser controladora deve ser um bom exercício para a maternidade, né?
Quero conseguir me entregar mais, pensar menos. Já li bastante, já me informei, busquei ajuda (e encontrei muitos ombros - e olhos e dedos/via net - solidários). Por que então ser tão implicante? Pra que querer tanto controlar tudo? Quero respirar, pisar na areia da praia, dormir, relaxar. Quero me encontrar pra poder encontrar-me, em breve, com a minha pequenina...
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Inexplicável, indefinível...
Deixamos para trás a 37ª semana. Mais uma semana com Ísis dentro do ventre. Como definir o final de uma gestação e explicar o que sinto nesse compasso de espera?
Tento definir e explicar assim: o humor muda da brisa ao furacão em segundos... ora momentos de paz profunda, ora uma inquietação sem fim.
Em um momento fecho os olhos e sinto o cheirinho da minha filha, imagino os momentos bons que passaremos juntas, antes até, a hora de sua chegada (que mentalizo como um momento difícil, porém sereno, cheio de paz, apesar da "violência" da natureza; como a onda do mar, forte e suave ao mesmo tempo).
Daqui a pouco penso: "não, não estou pronta ainda, fica aqui na barriga mais um pouquinho, filha..."
Dá vontade de rir e de chorar.
Dá vontade de passar a noite em claro e de dormir até o dia da chegada dela.
Sentimentos divergentes? Antagônicos? Sei lá! Acho que pra uma grávida de 38 semanas isso é mais do que válido.
Tem algo, porém, que continua sendo maravilhoso: sentir os movimentos dela em meu ventre. Ah, como é bom saber que essa vidinha está aqui, crescendo, se preparando... e eu preparando minha vida ao mesmo tempo.
Irei renascer dentro de alguns dias.
Tento definir e explicar assim: o humor muda da brisa ao furacão em segundos... ora momentos de paz profunda, ora uma inquietação sem fim.
Em um momento fecho os olhos e sinto o cheirinho da minha filha, imagino os momentos bons que passaremos juntas, antes até, a hora de sua chegada (que mentalizo como um momento difícil, porém sereno, cheio de paz, apesar da "violência" da natureza; como a onda do mar, forte e suave ao mesmo tempo).
Daqui a pouco penso: "não, não estou pronta ainda, fica aqui na barriga mais um pouquinho, filha..."
Dá vontade de rir e de chorar.
Dá vontade de passar a noite em claro e de dormir até o dia da chegada dela.
Sentimentos divergentes? Antagônicos? Sei lá! Acho que pra uma grávida de 38 semanas isso é mais do que válido.
Tem algo, porém, que continua sendo maravilhoso: sentir os movimentos dela em meu ventre. Ah, como é bom saber que essa vidinha está aqui, crescendo, se preparando... e eu preparando minha vida ao mesmo tempo.
Irei renascer dentro de alguns dias.
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