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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dentinho, já?

Minha pequena é babona, muito babona. Babador não segura a molhadeira (é assim que se escreve isso?) que ela consegue fazer. Todo bebê adora enfiar a mão na boca, fato! E aí fica todo mundo falando "nossa, como ela baba"; "eita, ela põe a mão toda na boca"; "hum, deve estar vindo dentinho por aí". 

Eu ignorava, mesmo porque babar e enfiar a mão na boca são atributos bastante gerais, bem comuns em bebês de três, quatro meses. Mas eis que hoje a pequena estava bastante irritada, "reclamando", sem conseguir dormir durante o dia. Dormiu pouquíssimo. Tá, ela não dorme taaaanto assim durante o dia, já costuma dormir pouco, mas hoje ela dormiu menos ainda. 

Na hora de "fazê-la" dormir pro sono da noite ela teve um comportamento diferente: ficou querendo colocar a mão na boca enquanto mamava. Teve hora que parou de mamar pra levar a minha mão à sua boquinha e sugar com força. Chorou. "Mordeu" o peito (ai!). 

Passei a mão na gengiva inferior várias vezes e não notei nada de diferente. Aí resolvi fazer a mesma investigação na gengiva superior e - bingo! - senti uma saliência. Na hora de dormir não acendo a luz do quarto pra nada (e essa é uma dica para mamães que querem ajudar o filhote a entender que é hora de dormir) e a luz do abajur é muito fraquinha (2 numa escala de 0 a 10, pra ajudar a visualizar). Aí peguei uma pequena lanterna (que uso pra ler sob as cobertas vez em quando, sem incomodar a pequena, vida de mãe) e vi um pontinho branco na gengiva superior. 

Um misto de dúvida, orgulho e alegria. Um sentimento de "é, pequena, tu estás crescendo, e rápido". O orgulho fica por conta do "fui eu quem fiz". E as dúvidas: será que é dente mesmo? Com apenas quatro meses? E na arcada superior? E se não for dente, o que pode ser esse pontinho branco? E se for dente, como ajudá-la a superar o desconforto que pode causar? 
É, ser mãe é ver o filhote crescer e se desenvolver em meio ao furacão que é colocar a própria vida em stand by e se dedicar exclusivamente ao pequeno ser que trouxemos ao mundo... e não é que eles crescem rápido mesmo, mais rápido do que nossa mente é capaz de perceber? 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

1° dia da criança

Na casa da vovó, com a companhia da priminha e com direito a muito carinho da vovó, dos titios, do papai e da mamãe.

Meu bebê está crescendo e amadurecendo. Chorinho? Só quando batia fome ou sono. E breve, muito breve! Uma menina muito fofa, que reconhece a mãe, e quando vai no colinho de outras pessoas fica sorrindo desconfiada, olhando de lado pra garantir que a mamãe não desapareceu.

Ela é um encanto, uma beleza de menina!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mamãe + amar = MAMAR

Na minha concepção, antes de ser mãe, amamentar seria um ato institivo, automático. Bebê nasce, você põe no peito e ele mama do jeitinho certo. Simples assim! Afinal todos os outros mamíferos não fazem assim? Gatinhos, cachorrinhos, girafas, elefantes, morcegos e ornitorrincos. Todos eles - os filhotes deles - nascem e mamam. Não, eu nunca vi um morcego ou ornitorrinco mamando não, mas se eles não soubessem como fazer isso já estariam extintos, capice?

Então, logo que minha filhota nasceu, como é praxe nos hospitais, ficou um pouquinho perto de mim e logo foi levada pros procedimentos de rotina: pesagem, medições, injeções, remédios, banho... toda essa agressão que eu não tive peito pra recusar e me arrependo até agora. Como ela nasceu num apartamento especial do hospital,  chamado de PPP (sigla de pré-parto, parto e puerpério), todos os procedimentos foram feitos ali, junto de mim. 

Minutos depois dela ter sido levada dos meus braços, mas ainda sob meu campo de visão, perguntei: quando ela vai mamar, hein? A resposta foi um "daqui a pouco" um tanto impaciente, proferido, acho, pela pediatra neonatologista. O fato é que eles se apressaram e minha pequena veio mamar antes de meia hora depois do nascimento. Maravilha, né? Nem tanto... Já explico o porquê.

Primeiro a pediatra olhou pros meus seios e proferiu um "não gostei do teu bico". Hã? Como assim, cara pálida? Quem vai mamar, tu ou minha neném? Bem, eu fiquei tão desconcertada com a afirmação da tal senhora que perdi o rebolado. Fiquei mesmo sem resposta (hoje eu saberia bem o que dizer, mas naquela ocasião fiquei com a cara mexendo). Que desserviço, né? Ela, como profissional, deveria sabe que é o bebê quem faz o bico conforme mama. Mas sigamos, vamos adiante.

Eu pensava que o bebê aproximava-se calma e lentamente do peito e mamava ternamente. Ah, ah, ah! Ela veio voraz!!!! Reflexo, né? Instinto de sobrevivência. E a senhora pediatra, em lugar de ajudar, ficava enfiando a mão e repetindo que não gostou do meu bico. Ninguém merece! O fato é que a pequena conseguiu mamar. Se o que chamam de pega estava correta? Não sei. A profissional que deveria me orientar não me falou nada sobre isso. Ela só sabia me dizer que não gostou do meu bico, ai, ai, ai!

Primeira madrugada da minha filha no hospital: muito choro, muito, muito choro! Ela pegava o peito, tentava sugar. Não saia nada, ela chorava. Também, pobrezinha, estava mamando da maneira incorreta. Eu sabia que tinha colostro, eu vi, mas acho que ela não conseguia sugá-lo. Junta-se a fome, a vontade de comer e o processo de adaptação ao mundo e o resultado da equação é bebê chorando muito na sua primeira madrugada de vida. 

Depois de ver o sol nascer a pequena dormiu. Desconfio, hoje, que ela dormiu de tão exausta que ficou. Eu também estava exausta, mas não preguei o olho. Além do cortisol que corria em meus vasos sanguíneos me fazendo ficar alerta, havia também a excitação pela volta pra minha casinha!!! Eba, agora sim minha pequena vai mamar e descansar, bem como a mamãe (não, a mamãe não vai mamar, só descansar). O que? Mamãe nem mamou - nem era o caso, hehehe - e nem descansou: mais uma noite de muito chorinho da pequena. 

Eis que três dias depois do nascimento da minha preciosa, deu-se a apojadura - a famosa descida do leite. Mas, mesmo com leite enchendo o peito, ela chorava muito, urinava pouco e meus seios estavam em frangalhos, cheios de fissuras (uma delas abriu e tenho uma cicatriz pra provar que é verdade). Fiquei tão desesperada! Pra mim uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Eu cheguei a pensar uma dessas coisas mirabolantes que mãe de primeira viagem pensa: minha filha está com insuficiência urinária ou algo do tipo. Que nada, a bichinha estava era com fome e sem saber mamar. 

Mas como, como é possível um mamífero não saber mamar? 

Pausa pra eu tentar explicar: os mamíferos todos que existem na natureza mamam sem maiores problemas porque suas mães são deixadas em paz pra parir e amamentar. As crias buscam o peito de sua mãe. Eles não são afastados ao nascer. Eles seguem seus instintos, mãe e filho/s. Mas o humano mexe demais na coisa, vem um e leva o bebê pra pesar, vem outro e leva pra vestir, outro leva pro berçário (a minha não foi, mas vários vão) e deixam a mãe sozinha "pra descansar". E a mãe toma banho, se lava, põe perfume. E o bebê é lavado. E cadê o cheirinho dos dois? Desceu pelo ralo, literalmente! Tem instinto que sobreviva? Ah - você pode pensar - mas tem bichinho que nasce com a ajuda humana. Tem sim. Mas e você nunca ouviu ninguém dizer que a cadelinha de fulano "rejeitou" a cria? Vai ver que é por conta de intervenções desnecessárias (ou pelo menos fora de hora). Aliás, eu já vi cachorrinho nascer de cesariana, mas a veterinária não deu banho nos filhotes não! Disse que a cadela precisava lamber a cria pra não rejeitá-la. Será que isso tem algo a ver com a depressão pós-parto humana? Bem, deixa eu despausar porque tem coisa que é achismo meu, minha mente vai longe as vezes. Mas que faz sentido, ah faz!

Pois bem, fui a um dos bancos de leite da minha cidade, o da Maternidade Escola Santa Mônica. Ai, que maravilha! Fui muito bem atendida por uma pessoa bem instruída, paciente e cordial, que disse que amamentar não tem que doer. Que fissuras são comuns, mas não são normais. Disse que o ato de amamentar deve ser prazeroso, pois faz com que o corpo produza hormônios que promovem o bem-estar. Dá-lhe ocitocina! Me ensinou a ordenar, a reconhecer a pega correta, a dar banho de sol ou de luz na mama e explicou que o melhor remédio pra fissuras é o próprio leite. 

Depois dessa primeira consulta ainda voltei lá por mais duas vezes em menos de 15 dias. Minha filhotinha estava aprendendo a mamar direitinho, mas como todo recém-nascido, vivia grudada no peito que, coitadinho, não cicatrizava por causa disso. Devido a fissura no seio esquerdo fiquei 5 dias ordenhando o leite dele e oferecendo a ela de copinho. É, copinho sim! Daqueles de vidro, de aperitivo, sabe? Daqueles de 50ml, pequeninos e baratinhos. Oferecer numa chuquinha não seria mais fácil? Ô, seria! Inclusive pra ela. Mas aí é que mora o perigo: ela poderia facilmente desmamar. Então a recomendação do banco de leite foi oferecer o leite no copinho. Tão bonitinho ela tomando leite no copinho, até fotografei. Mas é mais fácil e mais acolhedor o peito, com certeza!

Não deu pra segurar muito tempo ordenhando leite e dando no copinho não. A ordenha tinha que ser feita no máximo a cada duas horas; na madrugada ainda dava pra deixar por umas cinco horas. Mas aí eu tinha que acordar mais cedo do que a pequena pra poder ordenhar o leite. E, veja, recém-nascido já dorme poucas horas seguidas, como assim acordar antes dela? Então decidi oferecer o seio do jeito que estava mesmo. Doeu, ai, doeu! Mas não demorou a cicatrizar, uma vez que a pega já estava certinha e eu estava fortalecendo o bico com banhos de luz (minha filha nasceu no inverno, não dava pra dar banho de sol). 

Bem, depois disso foi só alegria! Minha pequena recuperou logo o peso perdido (recém-nascidos perdem cerca de 10% do seu peso quando nascem, recuperando em cerca de 15 dias) e hoje, com menos de quatro meses, já está com mais que o dobro do peso que tinha ao nascer. Tá uma linda bochechuda. Só mama, exclusivamente e em livre demanda. Nunca, em nenhum momento, mesmo com os seios machucados, deixei de dar o meu leite sempre que ela requisitou. E ela requisitou -e solicita ainda - muito, viu?

Agora a amamentação está indo de vento em popa! Bem estabelecida, na hora e do jeito que ela quer. Hoje em dia ela só acorda uma vez na madrugada pra mamar, as vezes duas, as vezes nenhuma. Quando ela está muito carente - de contato e de leite - deixo ela do meu ladinho na cama e ela mama o quanto quer, sentindo meu cheiro e meu calor, exatamente como todos os mamíferos dormem com suas mães. Chamam isso de cama compartilhada, eu chamo de ninho! 

E até quando ela vai mamar? Eu achava que seis meses seria o suficiente, tava bom demais. Depois eu fui lendo, estudando e me convencendo que é bem importante mamar até o segundo ano de vida, conforme recomenda a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde. E depois eu me dei conta que é bem mais legal deixar as coisas fluírem, deixar acontecer naturalmente. Desmame natural. Eita, isso é bem polêmico também, né? 

Se eu vou conseguir? Não sei, mas pretendo! Felizmente tudo o que tenho planejado sobre o meu jeito de maternar tem dado certo. Nem sempre do jeitinho exato que imaginei, mas tem fluído, tem seguido. Foi assim com a gestação, com o parto, com a amamentação (até agora exclusiva e em livre demanda), com a cama compartilhada, banho de balde, sling e todas essas coisinhas que acho bacana e importantes. 

Quero amamentar até enquanto minha filha quiser. E volto pra contar como foi, combinado? Espero que isso ocorra só daqui a uns anos, pelo menos uns dois...


sábado, 9 de outubro de 2010

Uma hermana

Não, ela não torce pela Argentina não! Ela curte Los Hermanos. Juro!

Ontem à tarde a pequena se inquietou. Não queria mais mamar, não queria brincar, não queria ficar na cama. Aí eu pensei: então vamos ouvir música! Como meus arquivos MP3 estão completamente bagunçados PC afora e o lugar onde fica o PC (que tem um som melhorzinho) do marido é quente pra danar, resolvi pegar o CD os CDs dos Hermanos que tenho, o primeiro e o último. Comecei pelo último, hehehe.

Coloquei algumas faixas, comecei a dançar e cantar com a pequena no colo. Ela muito quietinha, feliz e satisfeita, mesmo suadinha (tô dizendo, aqui é muito quente, affff). Não é que de repente minha filhota começou a cochilar? Pois é! Eu também fiquei surpresa, porque o volume não estava baixinho não. E a mamãe, mesmo desafinando, cantava junto.

É, aí fui "vagarinho" pro quarto com ela e deixei o CD terminar sozinho e silenciar-se (as últimas faixas são bem down, calminhas, rs). Deitei com ela na cama e fiquei com o note por trás dela, futucando na internet (minha vida social nos últimos 4 meses, rsrsrs).

Hoje, mais uma vez, a pequena estava bem irritadinha no início da tarde. Dessa vez ela conheceu o primeiro CD dos Hermanos, dançamos várias canções, entre elas Anna Júlia. E ela dormiu ao som de Primavera.

A certeza do amor não me deixa nunca mais. Primavera brilhando em seu olhar... Lindo, lindo, lindo...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Fascinação

Estou completamente encantada!

Quando sorri, ela ilumina meus momentos.
Quando ela me olha, abre meus horizontes através da janela de sua alma.
Quando toca minha pele com seus dedinhos me faz sentir a pessoa mais feliz do mundo.
Quando dorme, sua serenidade acalma meu dia, me traz paz.
Quando ela balbucia "palavras", entendo perfeitamente seu jeitinho de se comunicar.
Quando dá gritinhos, expressando sua alegria, me regozijo junto com ela.
Quando ela move o corpinho, seja de alegria ou descontentamento, meu coração se move mais depressa.
Quando chora ela desperta em mim compaixão e a necessidade de sorrir pra ela, mostrando que podemos superar qualquer adversidade.
Quando ela se acalma em meus braços me faz sentir autoconfiança e maturidade.
Quando ela mama me faz sentir superpoderosa, me faz acreditar que meu corpo é perfeito e a natureza também.
Quando brinca posso acreditar no lúdico, na diversão, na fantasia, nas descobertas.
Quando ela faz suas caquinhas e pipis me lembra que gerei um ser perfeito, capaz de eliminar de seu corpo aquilo que não mais lhe serve, os excessos.
Quando ela espirra, tosse ou engasga mostra que seu corpinho sabe se defender, e que apesar de pequenina ela é dependente, mas não tão indefesa quanto parece.
Quando ela rola pro lado me lembra que em breve terá autonomia para mover-se sozinha e que esse caminho não tem volta, que a independência será cada vez maior e que eu sentirei saudades do tempo que dedico à ela.
Quando ela respira me faz sentir viva, me faz acreditar na vida.

Quando ela sorri, olha, toca, dorme, balbucia, dá gritinhos, move o corpinho, chora, se acalma, mama, brinca, faz caquinhas, pipis, espirra, tosse, engasga e respira ela me mostra que cresce, amadurece, vive.
Ela me ensina que o tempo passa.
Ela demonstra que o tempo é hoje e o momento é agora.
Ela sinaliza que o melhor de nós pode ficar pra sempre.
Que nos eternizamos em nosso rebento.
Que ser mãe é muito mais que ter filhos.
Que viver é muito mais do que fazer, do que ter, do que querer.
Viver é ser.
Ser completamente fascinada por esse ser que é você, Isis!

Dizer eu te amo seria redundante agora.
Ou melhor, seria insuficiente.
Isso que eu sinto não tem tradução em palavras não!

Estou completamente encantada!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

1 ano

Hoje faz exatamente um ano que eu descobri que estava grávida. Essa hora eu estava me acabando de chorar no ano passado. Um filme passou em minha mente naquele dia, o prazer e a responsabilidade que seria... eu não tinha ideia de como seria profunda a mudança que haveria em minha vida. Como é intenso amar um filho!!! 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Primeiro trimestre

Não queria perder a oportunidade de registrar tudo o que vivi nos últimos três meses da minha vida (e os três primeiros da vida da minha filha). Sei que não vai ser possível registrar tudo, mas pelo menos um pouco da jornada dessa minha nova vida gostaria de deixar escrita para que no futuro a minha pequenina possa conhecer um pouco mais sobre sua origem (afinal é para isso que existe esse cantinho). Então vamos lá!

1º mes (0 a 1 mês): minha recém nascida era (olha só, eu me referindo a minha pequena no passado!!! - o tempo voa), desde sempre, muito exigente! Aquela coisinha pequenina, de olhinhos inchados, corpinho pequenino e cheirinho bom, mamava e chorava o tempo todo! É, ela demonstrava muita destreza nessas duas habilidades, hihihi! Os 15 primeiros dias foram de muita ansiedade, choro (de ambas as partes). Mãe fresca sofre: pega errada, bico do peito fissurado, noites sem dormir. Sabe, minha pequena ficou sem urinar direito por uns dias e eu saquei que algo estava errado. E estava: a forma como a minha bezerrinha mamava. Por isso ela nunca se satisfazia. Por isso ela não tinha urina suficiente. Por isso ela chorava ainda mais do que a gente supõem que deve chorar um recém nascido. Uma visita (aliás, três) ao banco de leite da Maternidade Escola Santa Mônica ajudaram muito, muito mesmo! Sou grata até hoje e recomendo que toda mãe saia direto da maternidade onde tiver seu filhote (para o caso de quem não tiver parto domiciliar, claro) pra um banco de leite. E em meio a tudo isso... visitas, muitas visitas, as vezes bem na hora que eu queria tirar um cochilo. Eu chorava e chorava. E pensava: como posso não me sentir exultando de felicidade se tudo que eu mais queria - ter minha filha em meus braços - era um fato? Bem, descobri porque usam a tal frase "ser mãe é pra descer padecer do no paraíso". É doce, mas não é mole não! E mãe de recém-nascido é pára-raios de palpites, nem precisa pedir! E tive palpites profissionais! É, muitos profissionais de saúde vieram me dizer que eu precisava acordar a minha filha pra mamar. O resultado foram mãe e filha ultra-mega-hiper estressadas. Mas o tempo foi passando e nem tudo era assim tão difícil. As ideias foram clareando, assim como o cocô da filhota (é no começo é quase preto, mecônio...). Ela foi aprendendo a diferenciar o dia da noite e as vezes dormia 5 horas seguidas. Maravilha! E no final do primeiro mês, o primeiro sinal de interação da minha pequenina: um sorrisinho! Ufa, isso me deu fôlego pra chegar ao segundo mês. =)

2º mês (1 a 2 meses): esse voou! Minha garotinha cada vez maior; ainda chorando um tantão, ainda mamando um tantão, mas já sorrindo mais. Amamentaão estabelecida, horas de sono noturno mais regulares. No final do segundo mês minha cria descobriu suas mãozinhas e isso a divertia (e ainda a diverte) bastante. Também no final do segundo mês o sorrisão virou sorrisão, com muita vontade, lindo, lindo, lindo! Ainda não ficou fácil, mas a medida que os babies crescem vai ficando mais gratificante, o retorno vai sendo maior. Não que o amor seja condicional, não é isso, mas a gente fica menos cansada, isso é fato, hehehe. Mas não tão menos assim. =P

3º mês (2 a 3 meses): e cadê a minha pequenina recém nascida, hein? Aquela, que nasceu com 3 quilos e só um tiquinho? Já está com mais de 6 quilos! Já fica em outros colinhos sem chorar. Já dá gargalhadas (mas só a mamãe teve o privilégio de ver e ouvir, coisa mais linda)! Já fica com o pescoço durinho! Já rola 180º! Hum, ainda gosta muito de chorar e de mamar. Já não dorme tanto quanto antes. Aliás, o sono diurno dela é uma preocupação constante dessa que vos fala, pois minha menina esperta que olhar tudo que está ao seu redor, por isso dorme pouquinho de dia. Isso a deixa super irritada, o que no final produz chorinho. O seu início de dia é sempre de sorrisos e bom humor, mas o final da tarde é seu antônimo! Pra dormir, muitos minutos de peito! Parece que ela sabe que vai passar muitas horas sem mamar - sono noturno (e deve saber, deve estar em seu DNA, né?) e por isso fica por cerca de 1 hora e meia mamando muuuuito, rs. Mamãe nem sempre fica naquela paz de espírito, estou lutando pra desenvolver esse "dom", mas acho que estou entendendo melhor essa necessidade do meu rebento.

Minha pequena é muito esperta, inteligente, comunicativa. Hum, tá, ela gosta de reclamar da vida, mas acho que essa característica é culpa da mamãe. Papai tem uma paciência de Jó, comigo e com ela. Ele está frito, tadinho, terá que aguentar as duas, hehehe. Todas as manhãs tenho o prazer de ver seu sorrizinho. Além de tudo isso ela é a menina mais saudável do mundo! Perfeitinha, regada à leite materno! Não sei o que o futuro nos reserva, mas estou certa que o futuro sempre nos guia a algo melhor. Acreditar nisso me faz a paciência crescer, aumentar.

Não é fácil ser responsável pela formação de um ser humano. Esses primeiros anos/meses são cruciais, importantíssimos! Quero deixar gravado no inconsciente da minha filha as melhores impressões. Quero que ela sinta e saiba que e muito amada, querida, aceita. Ninguém disse que é fácil, mas é gratificante. E vamos seguir. Em frente e para o alto!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O sono dos justos

Depois de dois dias dormindo praticamente a madrugada toda, acordando apenas 1 vez pra mamar e já as 4 horas da manhã, mamando rapidinho e voltando a dormir logo em seguida, essa madrugada teve baile.

Minha pequena resolveu que mamãe estava muito tranquilinha com essa história de dormir 6 horas seguidas e só acordar 1 vez na madrugada pra mamar. Acordou 1 hora, mamou até 1h30min. Acordou as 2h, fralda trocada, mamou até 2h30min. Choromingou no bercinho. Era choro de fralda suja, mas a fralda havia acabado de ser trocada. Deixei choromingar. Ela persistiu, insistiu. Apaguei o abajur, ela continuou o chorinho. Mamãe teve remorso e foi dar mamar. O remorso aumentou: sim, a fralda estava mesmo suja, havia vazado (meu marido colocou uma noturna, que vaza; eu tenho usado a tripla da turma da Mônica, a única que tem segurado de madrugada)..

No fim das contas acho que minha pequenina exigente só acordou esse tanto pq: 1) estava com calor na primeira parte da noite. 2) A fralda vazou.

Depois disso, voltei pro cantinho dela adormecer: a rede da sala. Ela dormiu rápido, mas já era 4 da manhã. Dormiu até as 7 diretinho. Acordou com fominha e mamãe com soninho. O resultado dessa equação é bebê deitada do lado da mamãe na cama e mamãe acordando mega cansada!!! Mas tudo bem, dormimos, não é isso que importa?

O fato é: ela ficou tão cansada quanto eu com essas acordadas e a prova é que minha catotinha ainda está lá, dormindo. Um soninho tão lindo e angelical, tão gostoso de se ver! Enquanto espero ela acordar dei um pulinho aqui e em seguida vou tomar um banho. Porque o resto do dia é bebê no colo!

Preciso, preciso voltar aqui e falar sobre a amamentação, sobre a adaptação inicial minha com minha pequenina. Falar de ônus e bônus de ser mãe. Mas é justamente por causa de um dos ônus, o de ter menos tempo pra si, que não consigo voltar pra falar sobre esses assuntos. Um dia, com mais tempo, mãos e cérebro disponíveis eu volto sim!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tanta coisa pra escrever...

...mas completamente sem tempo pra me concentrar na tarefa. Ultimamente só tenho conseguido fazer uso, no máximo de 1 mão. as vezes as duas estão ocupadas.

Por enquanto atualizo que Isis está uma fofa, bochechuda e com muitas dobrinhas surgindo, resultado de muito leite da mamãe. Exclusivo sim, nada de Nan, nem chás, nem frutinhas e nem água. Saúde? Sim, de ferro! Está super espertinha, "conversando", sorrindo, brincando com as mãozinhas. Um amor. Está com 2 meses. E eu? Cansada, mas feliz e orgulhosa por meu rebento. Volto depois com novidades, inspiração não me falta!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Nascimento da Isis, renascimento meu!

Em primeiro lugar, gostaria de destacar que qualquer glamour que possa aparecer nesse relato é posterior a ele. Estar em trabalho de parto me fez sentir muito mulher, na essência da palavra. Fêmea mesmo.




Dia 16 de junho de 2010. 40 semanas e dois dias de gestação e muita ansiedade. Acordei com uma forte dor no estômago, náuseas e vomitando muito. Quis lembrar o que teria comido pra me fazer tão mal assim, mas nada de diferente havia na minha rotina do dia anterior. Vomitei muito, absolutamente tudo que havia no meu estômago. Além disso, eu percebi que tinha um sangramento semelhante ao de uma menstruação. Meu marido ficou um tanto assustado e resolveu ligar para o meu obstetra, que falou: pode ser o corpo dela “limpando”, se preparando.



Foi-nos sugerido procurar a emergência do hospital para diminuir o mal estar. E fomos, porque eu sentia muita dor no estômago e absolutamente nada parava dentro dele. Meu obstetra foi até lá, me examinou e verificou: nenhuma dilatação, o que eu estava sentindo poderia até ser um trabalho de parto latente, mas, segundo ele, os sintomas poderiam cessar e minha filha nascer dali a uma semana, por exemplo. Ou poderia ser dali a algumas horas...



Depois de receber hidratação venosa, algo que aliviasse a dor no estômago e um protetor gástrico, fui liberada para ir pra casa. Chegando em casa, comecei a sentir dores abdominais e pensei : “hum, acho que agora começou”. Fiquei numa espécie de topor, tentando adormecer, mas sentindo contrações que ora ficavam próximas, ora mais espaçadas. Eram suportáveis, mas incomodas. Não sei a que horas exatamente cheguei em casa, mas já passava das 14 horas. Não conseguia me alimentar, então o jeito que meu corpo encontrou para poupar energia para o parto foi ficar letárgico, trazer-me um sono incomum. Aproveitei e dormi o quanto pude entre uma e outra contração.



Chegou a noite e meu marido, que o tempo todo esteve junto, tentando dar assistência, começou a ficar angustiado por eu não conseguir me alimentar. Tentei gelatina, água de coco, papinhas industrializadas para bebês, mas nada parava no estômago. Resolvi parar de brigar com a natureza e desisti de me alimentar. Meu marido decidiu entrar em contato com o meu obstetra, mesmo eu dizendo a ele que não precisava, que ainda não estava na hora. Pois bem, mesmo assim ele ligou e o médico pediu que fôssemos até o consultório. Mesmo com dores, frio e debaixo de chuva eu aceitei ir, queria saber a quantas andava o processo.



Chegamos no consultório por volta das 19 horas. Depois de ser examinada, fiquei bastante decepcionada com o que ouvi do médico: apesar do útero estar “amolecido”, bebê mais baixo, eu não estava nem com 1 centímetro de dilatação ainda. O trabalho de parto poderia demorar horas, avisou o médico. Sai de lá decidida a só ir ao hospital na manhã seguinte.



Voltando pra casa, as contrações – e as dores – se tornaram mais intensas, embora eu ainda conseguisse um pouco de serenidade entre uma contração e outra. Minha mãe chegou, trazida pelo meu irmão e minha cunhada; minha sobrinha de dois aninhos veio junto e até consegui dar um beijinho nela no intervalo das contrações.



Eu queria muito a presença de uma doula em meu trabalho de parto, mas precisei me arranjar comigo mesma. Meu lugar preferido durante as contrações era a cadeira de balanço, ou uma caminhada pelo corredor de casa. Luzes apagadas, claro. Eu nem sabia, mas já estava em trabalho de parto ativo.



As 22 horas meu marido e minha mãe sugeriram que eu aceitasse ir ao hospital. Eu, a princípio, relutei. Não queria. Mas as dores estavam intensas, contrações próximas (cerca de 2 a 3 minutos de intervalo) e estavam bastante regulares. Aceitei, decidi que iríamos sim. Capítulo a parte foi esperar o táxi: dia de chuva, àquela hora, demorou cerca de 40 a 50 minutos pra chegar. Durante as contrações eu gritava e reclamava da vida, mas dentro do táxi me comportei "muito bem", para não assustar o taxista; apenas apertava a mão da minha mãe e tentava não brigar com a contração, algo que me parecia impossível. Eu simplesmente esqueci que precisava respirar durante a contração. Como me fez falta uma doula!



Ao chegar no hospital, música para os meu ouvidos: o médico plantonista disse que eu estava com 7 centímetros de dilatação! Ah, que maravilha! Trabalho de parto ativo, tudo indo muito bem, obrigada! E ainda com alguma consciência entre as contrações! O médico plantonista pediu que entrasse em contato com o “meu” médico, mas ele já estava à caminho. Eu mesma pedi ao médico plantonista que avisasse à equipe do PPP do hospital que se preparasse, meu parto seria lá. Assim foi feito.



Minutos depois chegou meu obstetra. Eu estava com muito medo da intensidade das dores ficar maior, afinal a bolsa ainda não havia rompido e eu receei que a situação fugisse do meu controle (lúcido). Pedi analgesia. Eu tentei não brigar com as contrações, tentei respirar, tentei levar numa boa, mas não deu, não consegui. Infelizmente não havia fisioterapeuta no plantão, não consegui nem entrar na banheira e nem no chuveiro durante as contrações, nem vi a bola, nada.



Fui ao centro obstétrico do hospital para receber analgesia. O processo foi relativamente demorado, cerca de 40 a 50 minutos, afinal as contrações estavam bem próximas. Eu, no meu íntimo, clamava para que a analgesia funcionasse bem para poder conseguir dar conta do restante do processo. Como mágica, depois dos minutos todos que esperei, a dor deu lugar apenas às contrações. Ufa! Bem, como eu estava desidratada precisei receber soro. Tive receio que isso me limitasse para o restante do trabalho de parto, mas felizmente não atrapalhou. Ao final da analgesia, observei um relógio que havia na parede: meia noite. “Isis não nascerá mais no dia 16 de junho”, falei. Novo exame antes de sair do centro obstétrico: 8 centímetros! A bolsa rompeu e foi bom sentir aquele líquido quente escorrendo! Felizmente eu já havia recebido analgesia, assim o medo não atrapalhou o andamento do restante do trabalho.



De volta ao PPP, minha mãe e meu marido ficaram comigo o tempo todo a partir daí. Ah, achei a bola! Lembrei que alguns movimentos na bola poderiam ajudar a dilatar o restante que faltava. Fiquei na bola durante todo o restante do TP. Não havia mais dor, mas eu sentia nitidamente as contrações. É bem verdade que elas ficaram um pouco mais fracas depois da analgesia, mas eu ainda podia senti-las. Depois de um tempo comecei a sentir um “peso” no canal vaginal. Falei pro médico, que sugeriu que avaliássemos.



Ok, 10 centímetros, dilatação total! Mesmo sob efeito da analgesia, dilatei 2 centímetros em cerca de 1 hora, um pouco mais ou um pouco menos. No PPP do hospital existe uma cama que proporciona a posição semi-vertical e foi assim que fiquei nos próximos minutos. A posição era bastante confortável. Como as contrações ficaram menos intensas, acabei por receber 1 ampola de ocitocina (a contragosto, mas foi a a primeira parcela do preço que paguei pela analgesia). Não senti dor, mas as contrações ficaram um pouco mais fortes.



A partir daí, entrei na “partolândia”, não me lembro muito bem do que aconteceu. Eu sentia vontade de gritar toda vez que sentia uma contração. Sentia vontade de fazer força quando elas vinham. Não consigo lembrar do que acontecia fora de mim naquele momento. Toda minha memória dessa ocasião parece estar em câmera lenta, ou como se fossem fotografias, em flash. Lembro apenas do médico dizendo que eu estava indo bem, que Isis estava chegando. Aí veio a segunda prestação do preço que paguei pela analgesia: epsiotomia! Eu não sabia muito bem pra onde direcionar a força. Faltando duas contrações pra Isis chegar, ganhei a epsio, mesmo me esforçando muito para que ela não fosse “necessária”. Diante das circunstâncias, aceitei e deixei o resto do processo acontecer.



Mais uma contração e ela coroou. Ah, o círculo de fogo! Senti, e como senti! Não houve analgesia do mundo que me tirasse a possibilidade de sentir aquela sensação tão intensa. Outra contração e senti passar a cabeça, em seguida os ombros. Depois o corpinho. Que coisa boa sentir o corpo dela passar!



De repente olho em volta, atônita e me dei conta: nasceu, ela nasceu! Meu marido chorava! Que sensação louca! Ela veio pros meus braços do jeitinho que nasceu, ficou durante alguns minutos. Conversei com ela, senti seu cheiro. Depois levaram ela para os cuidados neonatais (fui muito mole em meu plano de parto com relação a isso, minha filha sofreu muitas intervenções). Eu perguntei, claro: “quando ela vai mamar?” “Daqui a pouco”. Depois de cerca de 30 minutos ela voltou para meus braços e pode, enfim, mamar e receber meu calor.



Minha pequena nasceu a 1h56min do dia 17 de junho de 2010, 40 semanas e 3 dias de gestação, com 3kg165g, 49 centímetros, apgar 9/10 e capurro de 40 semanas. Muito saudável e perfeita. Num parto que foi uma grande vitória. Que também foi perfeito para a Anne que existia até então. Que existia. Agora sou outra pessoa. As mudanças que experimentamos depois de parir, os cuidados com nosso bebê, o reaprender a viver, definitivamente, nos transformam em outra pessoa. Isis nasceu. Eu renasci.