Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador amamentar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amamentar. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eu digo basta, e você?


Confesso que estou com bastante sono, mas não poderia ignorar determinados fatos e perder a oportunidade de defender minha condição de lactante (e da minha filha como lactente). Desde que a antropóloga Marina Brandão foi impedida de amamentar no Itau Cultural, no começo de maio e que a jornalista Kalu Brum teve uma foto excluída do seu facebook (foto na qual estava amamentando), sucedeu-se uma série de protestos contra a hipocrisia de quem torce a cara pra mãe que amamenta, mas ignora a exibição gratuita de peitos com a finalidade de vender cerveja e coisificar a mulherada. Junto com o protesto, veio mais machismo e misogenia. Diversos jornalistas se posicionaram contra a maneira de protestar, fizeram pouco caso e mesmo zombaram dos atos realizados e do corpo feminino.

Eu não posso aceitar preconceito disfarçado de piada. Não posso ser conivente com falta de respeito e demonstração de ignorância. Não posso fingir que não é comigo, não posso deixar de tomar partido. Sou mamífera, amamento e tenho muito orgulho disso!

Amamentar é cuidar de um ser indefeso, nutrir com o melhor alimento que há no mundo para um bebê e atender as necessidades emocionais na mesma medida. E bebê não tem relógio no estômago, nem entende que ali ou aqui tem muita gente olhando, ele tem necessidades que precisam ser atendidas de imediato (e quanto mais novo o bebê, mais urgente a necessidade). Amamentar, sob meu ponto de vista, é um dos mais fortes atos de entrega e formação de vínculo que se pode oferecer. Não quero e não vou negar a minha filha esse direito só porque tem gente olhando.

Para entender melhor, é só dar uma olhadinha aqui.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dando o melhor de mim

Estou emocionada. Profundamente emocionada. Meu bebezinho estará completando, nas próximas horas, seus primeiros 6 meses de vida. Metade de um ano já se foi, passou. Voou. Totalmente clichê, mas não tenho outra palavra: voou!

Há exatos seis meses eu estava passando por uma das experiências mais transformadoras da vida de uma mulher: eu estava em pleno trabalho de parto. Algo intenso, forte, que provoca uma verdadeira catarse e põe a vida da gente em outro eixo. Não o trabalho de parto e o parto em si, mas o que ele traz, que é a vida nova que surge. Não só a nova vida do bebê, mas a nossa própria nova vida.

Os primeiros meses de existência da minha filha foram bastante difíceis pra mim. Pra quem trabalhou até a véspera de entrar em trabalho de parto (na verdade até a antevéspera, porque a véspera foi estreia do Brasil na copa e ninguém trabalha, hehehe) não foi nada fácil sentir o próprio mundo parar de repente em função de outro ser. Mas acredito que a dificuldade que senti foi pelo fato de desejar fazer tudo de uma maneira diferente do convencional e por ter criado paradigmas irreais também.

Hoje, construídos outros modelos, ou melhor, tentando não seguir modelo algum a não ser o que dita o meu coração, as coisas estão fluindo com muito mais facilidade. A duras penas fui aprendendo a fazer minhas escolhas, descobrindo o que é melhor para mim e para minha pequena. As vezes é mais difícil, mas não importa: o importante é que seja o melhor para ela.

Criar filhos sem que eles usem chupeta (e olha que eu confesso: até tentei - ela não aceitou e eu não fui muito insistente), mamadeiras (essas passaram bem longe daqui), sem leites artificiais, sem deixar chorando pra "aprender a se virar" não é nada fácil! Fiquei boquiaberta quando a avó de um menininho apenas 20 dias mais velho que a Isis me falou com orgulho que ele "já come de tudo, não mama mais e está com o peso e altura de um bebê de 1 aninho". Esse "de tudo" inclui industrializados, "engrossantes". Tão grave a situação que o pediatra do menino pediu que a mãe fizesse uma "dieta" no garotinho, cortando vários ítens da alimentação dele.

Não cabe a mim julgar se essa mãe está certa ou errada. Mas eu fico chocada, fico sim, porque é a qualidade de vida de um bebê que está em jogo. Um bebê, que não tem escolhas, que não pode ler, nem se informar, nem selecionar o que é bom ou não para comer, beber, ver, ouvir. Um bebê cuja mente e corpo estão em formação. Me assusta, sim, ver ser negado a esse garotinho o direito de ter o melhor para ele.Nesse caso o melhor seria, pra completar, mais barato - afinal a gente não paga nem um centavo pra amamentar. Em pensar que o desmame dele foi iniciado quando ele ainda não tinha nem dois meses e o bebê chorava muito (oh, claro, bebês choram muito e asseguro que a minha chorava muito também, mais do que ele até). E o mesmo pediatra que hoje prescreve uma dieta foi o que sugeriu a introdução da fórmula artificial. O que veio muito a calhar para a mamãe dele, que queria mesmo dar uma voltinha no shopping - sem ele - e assim a vovó dele pode dar a mamadeirinha de leite. (In?) felizmente não consigo considerar isso aceitável, se pensar na perspectiva do bem estar do bebê. E também, infelizmente, não posso mexer nas escolhas dessa mãe para o seu filho.

O que me resta, então? Dar o melhor de mim para minha filha. No meu caso significou e ainda significa muita renúncia. Passeios restritos ao que ela pode acompanhar, nos horários que ela pode ir. Acordar muitas vezes de madrugada, quando ela quer peito porque sente fome ou simplesmente porque ela quer aconchego, quer ficar comigo. É ser o alimento da minha cria. É me entregar de corpo e alma a maternidade.

Nas próximas horas completaremos 6 meses de aleitamento materno exclusivo. Não é nada fácil, não mesmo! E não tinha certeza se conseguiria, uma vez que o tempo máximo que minha mãe amamentou foi por 2 meses. Infelizmente ela caiu na armadilha do "ter pouco leite" e no fim das contas acabou diminuindo ainda mais a produção, pois oferecia complementos a mim e aos meus irmãos, o que resultava em ainda menos leite. Ela, como a mãe do garotinho que mencionei, não tinha muito acesso à informação e os profissionais que a assistia - assim como o profissional que assiste à mãe do menino citado aqui - era despreparado no quesito aleitamento materno.

Para mim amamentar exclusivamente por 6 meses é uma vitória grande, assim como foi parir. A quem diga que ninguém é mais ou menos mãe por parir ou por amamentar seu filho. Tudo bem, concordo. Mas para minha experiência passar pelo trabalho de parto, parto e aleitamento exclusivo foram tão tão (não consegui achar uma palavra pra definir) que me sinto uma pessoa completamente diferente da que eu era há seis meses. E diferente para melhor.

Amanhã começaremos uma nova jornada. Minha pequena experimentará sua primeira refeição. Não sei como será, não sei se ela vai gostar de cara ou se vai demorar para se acostumar com a nova condição. Estou, ao mesmo tempo, curiosa e enciumada. É, estou com ciúmes da papinha! Afinal de contas até hoje eu era a única fonte de alimento para minha filha. Eu sei que ainda vamos seguir com a amamentação, sem pressa pra terminar. Sei que é preciso passar por isso, que a criança cresce, precisa aos poucos passar a ser mais independente (embora esse adjetivo não me pareça muito adequado para um bebê). Mas deixa eu curtir esse sentimento dúbio, puxa vida! Deixa eu sentir vontade de agarrar e de deixar ir ao mesmo tempo!

Pode parecer louca a minha confissão, mas a faço mesmo assim: estou me sentindo como se estivesse parindo pela segunda vez a minha filha. Há seis meses ela deixava de ser um feto dentro do meu útero e passava a ter uma vida "independente". Mas ainda precisava de mim, exclusivamente de mim para se alimentar - e, por conseguinte, sobreviver. Teoricamente ela poderia ser alimentada de outra forma na minha ausência, mas comigo ao lado dela isso não precisou acontecer. Agora mais uma parte do processo do "deixar ir, deixar ser": não serei mais sua única fonte de alimento. Mas, assim como no parto, ao mesmo tempo que é doloroso, é prazeroso. É um momento que indica que a vida segue seu curso, como tem que ser.

Mais um marco na nossa vida. Mais uma vitória para minha história como mãe. Independente de ser ou não sua única fonte de alimento, uma coisa é certa: continuarei oferecendo a minha filha, sempre, o melhor de mim!

Olhos marejados de lágrimas aqui...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mamãe + amar = MAMAR

Na minha concepção, antes de ser mãe, amamentar seria um ato institivo, automático. Bebê nasce, você põe no peito e ele mama do jeitinho certo. Simples assim! Afinal todos os outros mamíferos não fazem assim? Gatinhos, cachorrinhos, girafas, elefantes, morcegos e ornitorrincos. Todos eles - os filhotes deles - nascem e mamam. Não, eu nunca vi um morcego ou ornitorrinco mamando não, mas se eles não soubessem como fazer isso já estariam extintos, capice?

Então, logo que minha filhota nasceu, como é praxe nos hospitais, ficou um pouquinho perto de mim e logo foi levada pros procedimentos de rotina: pesagem, medições, injeções, remédios, banho... toda essa agressão que eu não tive peito pra recusar e me arrependo até agora. Como ela nasceu num apartamento especial do hospital,  chamado de PPP (sigla de pré-parto, parto e puerpério), todos os procedimentos foram feitos ali, junto de mim. 

Minutos depois dela ter sido levada dos meus braços, mas ainda sob meu campo de visão, perguntei: quando ela vai mamar, hein? A resposta foi um "daqui a pouco" um tanto impaciente, proferido, acho, pela pediatra neonatologista. O fato é que eles se apressaram e minha pequena veio mamar antes de meia hora depois do nascimento. Maravilha, né? Nem tanto... Já explico o porquê.

Primeiro a pediatra olhou pros meus seios e proferiu um "não gostei do teu bico". Hã? Como assim, cara pálida? Quem vai mamar, tu ou minha neném? Bem, eu fiquei tão desconcertada com a afirmação da tal senhora que perdi o rebolado. Fiquei mesmo sem resposta (hoje eu saberia bem o que dizer, mas naquela ocasião fiquei com a cara mexendo). Que desserviço, né? Ela, como profissional, deveria sabe que é o bebê quem faz o bico conforme mama. Mas sigamos, vamos adiante.

Eu pensava que o bebê aproximava-se calma e lentamente do peito e mamava ternamente. Ah, ah, ah! Ela veio voraz!!!! Reflexo, né? Instinto de sobrevivência. E a senhora pediatra, em lugar de ajudar, ficava enfiando a mão e repetindo que não gostou do meu bico. Ninguém merece! O fato é que a pequena conseguiu mamar. Se o que chamam de pega estava correta? Não sei. A profissional que deveria me orientar não me falou nada sobre isso. Ela só sabia me dizer que não gostou do meu bico, ai, ai, ai!

Primeira madrugada da minha filha no hospital: muito choro, muito, muito choro! Ela pegava o peito, tentava sugar. Não saia nada, ela chorava. Também, pobrezinha, estava mamando da maneira incorreta. Eu sabia que tinha colostro, eu vi, mas acho que ela não conseguia sugá-lo. Junta-se a fome, a vontade de comer e o processo de adaptação ao mundo e o resultado da equação é bebê chorando muito na sua primeira madrugada de vida. 

Depois de ver o sol nascer a pequena dormiu. Desconfio, hoje, que ela dormiu de tão exausta que ficou. Eu também estava exausta, mas não preguei o olho. Além do cortisol que corria em meus vasos sanguíneos me fazendo ficar alerta, havia também a excitação pela volta pra minha casinha!!! Eba, agora sim minha pequena vai mamar e descansar, bem como a mamãe (não, a mamãe não vai mamar, só descansar). O que? Mamãe nem mamou - nem era o caso, hehehe - e nem descansou: mais uma noite de muito chorinho da pequena. 

Eis que três dias depois do nascimento da minha preciosa, deu-se a apojadura - a famosa descida do leite. Mas, mesmo com leite enchendo o peito, ela chorava muito, urinava pouco e meus seios estavam em frangalhos, cheios de fissuras (uma delas abriu e tenho uma cicatriz pra provar que é verdade). Fiquei tão desesperada! Pra mim uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Eu cheguei a pensar uma dessas coisas mirabolantes que mãe de primeira viagem pensa: minha filha está com insuficiência urinária ou algo do tipo. Que nada, a bichinha estava era com fome e sem saber mamar. 

Mas como, como é possível um mamífero não saber mamar? 

Pausa pra eu tentar explicar: os mamíferos todos que existem na natureza mamam sem maiores problemas porque suas mães são deixadas em paz pra parir e amamentar. As crias buscam o peito de sua mãe. Eles não são afastados ao nascer. Eles seguem seus instintos, mãe e filho/s. Mas o humano mexe demais na coisa, vem um e leva o bebê pra pesar, vem outro e leva pra vestir, outro leva pro berçário (a minha não foi, mas vários vão) e deixam a mãe sozinha "pra descansar". E a mãe toma banho, se lava, põe perfume. E o bebê é lavado. E cadê o cheirinho dos dois? Desceu pelo ralo, literalmente! Tem instinto que sobreviva? Ah - você pode pensar - mas tem bichinho que nasce com a ajuda humana. Tem sim. Mas e você nunca ouviu ninguém dizer que a cadelinha de fulano "rejeitou" a cria? Vai ver que é por conta de intervenções desnecessárias (ou pelo menos fora de hora). Aliás, eu já vi cachorrinho nascer de cesariana, mas a veterinária não deu banho nos filhotes não! Disse que a cadela precisava lamber a cria pra não rejeitá-la. Será que isso tem algo a ver com a depressão pós-parto humana? Bem, deixa eu despausar porque tem coisa que é achismo meu, minha mente vai longe as vezes. Mas que faz sentido, ah faz!

Pois bem, fui a um dos bancos de leite da minha cidade, o da Maternidade Escola Santa Mônica. Ai, que maravilha! Fui muito bem atendida por uma pessoa bem instruída, paciente e cordial, que disse que amamentar não tem que doer. Que fissuras são comuns, mas não são normais. Disse que o ato de amamentar deve ser prazeroso, pois faz com que o corpo produza hormônios que promovem o bem-estar. Dá-lhe ocitocina! Me ensinou a ordenar, a reconhecer a pega correta, a dar banho de sol ou de luz na mama e explicou que o melhor remédio pra fissuras é o próprio leite. 

Depois dessa primeira consulta ainda voltei lá por mais duas vezes em menos de 15 dias. Minha filhotinha estava aprendendo a mamar direitinho, mas como todo recém-nascido, vivia grudada no peito que, coitadinho, não cicatrizava por causa disso. Devido a fissura no seio esquerdo fiquei 5 dias ordenhando o leite dele e oferecendo a ela de copinho. É, copinho sim! Daqueles de vidro, de aperitivo, sabe? Daqueles de 50ml, pequeninos e baratinhos. Oferecer numa chuquinha não seria mais fácil? Ô, seria! Inclusive pra ela. Mas aí é que mora o perigo: ela poderia facilmente desmamar. Então a recomendação do banco de leite foi oferecer o leite no copinho. Tão bonitinho ela tomando leite no copinho, até fotografei. Mas é mais fácil e mais acolhedor o peito, com certeza!

Não deu pra segurar muito tempo ordenhando leite e dando no copinho não. A ordenha tinha que ser feita no máximo a cada duas horas; na madrugada ainda dava pra deixar por umas cinco horas. Mas aí eu tinha que acordar mais cedo do que a pequena pra poder ordenhar o leite. E, veja, recém-nascido já dorme poucas horas seguidas, como assim acordar antes dela? Então decidi oferecer o seio do jeito que estava mesmo. Doeu, ai, doeu! Mas não demorou a cicatrizar, uma vez que a pega já estava certinha e eu estava fortalecendo o bico com banhos de luz (minha filha nasceu no inverno, não dava pra dar banho de sol). 

Bem, depois disso foi só alegria! Minha pequena recuperou logo o peso perdido (recém-nascidos perdem cerca de 10% do seu peso quando nascem, recuperando em cerca de 15 dias) e hoje, com menos de quatro meses, já está com mais que o dobro do peso que tinha ao nascer. Tá uma linda bochechuda. Só mama, exclusivamente e em livre demanda. Nunca, em nenhum momento, mesmo com os seios machucados, deixei de dar o meu leite sempre que ela requisitou. E ela requisitou -e solicita ainda - muito, viu?

Agora a amamentação está indo de vento em popa! Bem estabelecida, na hora e do jeito que ela quer. Hoje em dia ela só acorda uma vez na madrugada pra mamar, as vezes duas, as vezes nenhuma. Quando ela está muito carente - de contato e de leite - deixo ela do meu ladinho na cama e ela mama o quanto quer, sentindo meu cheiro e meu calor, exatamente como todos os mamíferos dormem com suas mães. Chamam isso de cama compartilhada, eu chamo de ninho! 

E até quando ela vai mamar? Eu achava que seis meses seria o suficiente, tava bom demais. Depois eu fui lendo, estudando e me convencendo que é bem importante mamar até o segundo ano de vida, conforme recomenda a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde. E depois eu me dei conta que é bem mais legal deixar as coisas fluírem, deixar acontecer naturalmente. Desmame natural. Eita, isso é bem polêmico também, né? 

Se eu vou conseguir? Não sei, mas pretendo! Felizmente tudo o que tenho planejado sobre o meu jeito de maternar tem dado certo. Nem sempre do jeitinho exato que imaginei, mas tem fluído, tem seguido. Foi assim com a gestação, com o parto, com a amamentação (até agora exclusiva e em livre demanda), com a cama compartilhada, banho de balde, sling e todas essas coisinhas que acho bacana e importantes. 

Quero amamentar até enquanto minha filha quiser. E volto pra contar como foi, combinado? Espero que isso ocorra só daqui a uns anos, pelo menos uns dois...