Não é um silêncio de falta de inspiração. É de excesso dela! Tenho uma filha linda e perfeita e me pego pensando várias vezes por dia em vários assuntos diferentes. Em alguns momentos tenho plena convicção em concordar com determinado assunto, depois acho que as coisas não são bem assim. Mas sempre penso "eu poderia registrar minha opinião sobre isso lá no blog". Depois a mente divaga, me perco, esqueço. E o assunto fica sem o merecido registro.
Isis me vez ter uma visão diferente sobre a vida. Cada situação que acontece no mundo me faz pensar nas mães e nos filhos envolvidos. No sofrimento ou na felicidade deles. E cada bebê ou criança que eu vejo nas ruas me remetem a minha vida com ela ao mesmo tempo que me faz pensar em como será que eles vivem.
Sempre que minha filha aprende algo lindo ou tem um comportamento que eu não gostaria fico pensando "será que é assim com todo mundo?". Ou pior ainda: "será que isso é normal?". Tenho uma necessidade impressionante de normalidade e não acho isso nada legal. Por que? Porque os parâmetros de normalidade são diferentes pra cada pessoa e cultura.
Minha filha dança fofamente, bate palmas, dá tchauzinho e mais uma porção de coisas cutis que mostram que ela entende bem a função da linguagem que usamos com ela. é esperta, observadora tudibão! Mas custa pra dormir! Ai, como custa! Dorme muito pouquinho de dia, quase nada. E acorda inúmeras vezes por dia. e é assim que surge a pergunta "isso é normal?".
Se é ou não talvez eu nunca descubra. E talvez alguns achem normalíssimo, outros podem achar absurdo. O fato é que ela é assim, é desde que nasceu, não mudou diante de absolutamente nada que eu fizesse. O que eu fiz? Tentei me adaptar. Pronto, foi essa a solução.
Falando em adaptação, a enfermeira que veio me "ensinar" a amamentar no dia seguinte ao nascimento de Isis chegou dizendo, em tom imperativo, que minha filha deveria se adaptar a minha rotina e não eu a dela. Eu, tolinha, acreditei e me esforcei tanto, tentei tanto. Que bobagem a minha. Descobri que ser mãe nem é se adaptar a rotina do bebê e nem fazê-lo adaptar-se à nossa. É criar, juntos, uma nova rotina, uma nova vida, que seja a melhor possível pra família inteira. E depois que entendi isso nossa vida melhorou muito!
Nasceu aquela a quem dedico esse espaço, aquela mesmo que só existia em meus planos, tomou forma em meu ventre(e domina meus pensamentos e planos) Ao meu bebê: TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA
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terça-feira, 12 de abril de 2011
sábado, 25 de dezembro de 2010
O primeiro Natal
Esse foi o primeiro Natal da minha pequena. Foi tudo perfeito, maravilhoso. Passamos a noite de ontem e o dia de hoje na casa do titio, titia e priminha da Isis. Ontem a noite a pequena não entendeu muito bem esse negócio de "hoje é dia de festa" e chorou um bocadinho quando deu a hora dela dormir (na verdade já havia passado da hora). Ela "esperou" a vovó chegar e, por volta das dez e meia, quando eu tentava organizar o banho rotineiro de antes do soninho, eis que ela adormece nos braços da vovó, que ela conhece desde o dia que nasceu. Deve se sentir bem segura neles, pois depois dos meus é onde ela adormece melhor.
Dormiu rapidamente, trocar a fraldinha pra dormir foi trabalho de malabarista - já que ela estava dormindo e não queríamos acordá-la. Roupa e fralda colocados, ela dormiu bem por muitos minutos. Fiquei do lado, ali, tentando dormir também enquanto a protegia do desconhecido (não quis deixar ela dormindo e sair do quarto, afinal ela não conhecia o ambiente). Mas nem seria necessário, ela é bastante calorenta e no ar condicionado da prima dormiu um sono solto.
A meia noite ela deu uma resmungadinha - não sei se pelos fogos que estouraram ou se sentiu a baixa umidade provocada pelo condicionador de ar (com o qual ela não está habituada). Para qualquer incomodo, porém, o remédio que ofereço é o mesmo: peito. Imediatamente após hidratar-se e relaxar com a mamada, voltou a dormir. A despeito da TV da prima que estava ligada (em casa ela costumava acordar com qualquer barulho depois que dormia, mas recentemente nem testamos mais, pra não incomodá-la, mas pelo visto ela nem daria bola; mas quem sente falta de TV, hein?); a despeito da ausência do barulhão do ventilador (confesso que eu é quem sinto falta, hehehe), a despeito do barulho fora do quarto; a despeito do entra e sai da priminha no quarto (e, depois que a prima foi dormir o entra e sai foi dos adultos pra ver se estava tudo em ordem com as duas) ela dormiu divinamente bem. Me surpreendeu mesmo!
Na hora que fui dormir, deitei com ela. Foi tudo de bom ficar coladinha com a filhota. Confesso que demorei muito pra dormir, contemplando-a. Sentindo o cheirinho que ela tem e observando as caras e bocas lindas que faz quando está dormindo. E vendo como ela está crescendo. E observando também como estamos crescendo e aprendendo com ela.
No dia de hoje ela teve outros primeiros. Um muito-muito legal, que foi um banho de piscina. Eu adoro piscina e tinha certeza que ela também adoraria. E ela adorou. Tenho certeza que a lembrança que ela teve ao sentir a água foi a de quando ela era um girino na minha barriga. O sorriso dela foi digno de porta retrato na hora que sentiu a água morna envolvendo seu corpo. Muito gostoso! O outro primeiro foi a papinha industrializada. Eu cuspi pra cima, o cuspe caiu na minha testa. Sempre disse que adiaria ao máximo o uso e blá, blá. Eis que hoje, não estando em casa, acabei oferecendo papinha industrializada de peru, legumes e arroz (cardápio natalino, mas foi coincidência). Não vai ser frequente, mas foi o que deu pra oferecer hoje, mesmo a contragosto. Por falar em gosto, ela gostou, comeu mais da metade! É pra achar isso bom ou ruim?
No finalzinho da tarde, voltamos para casa felizes, nós três, eu, marido e filhota. Volta a rotina, bebê cansadona, mamou e capotou em 15 minutinhos. Agora ela dorme o gostoso soninho dos inocentes e justos. O sono do finzinho do seu primeiro Natal.
Dormiu rapidamente, trocar a fraldinha pra dormir foi trabalho de malabarista - já que ela estava dormindo e não queríamos acordá-la. Roupa e fralda colocados, ela dormiu bem por muitos minutos. Fiquei do lado, ali, tentando dormir também enquanto a protegia do desconhecido (não quis deixar ela dormindo e sair do quarto, afinal ela não conhecia o ambiente). Mas nem seria necessário, ela é bastante calorenta e no ar condicionado da prima dormiu um sono solto.
A meia noite ela deu uma resmungadinha - não sei se pelos fogos que estouraram ou se sentiu a baixa umidade provocada pelo condicionador de ar (com o qual ela não está habituada). Para qualquer incomodo, porém, o remédio que ofereço é o mesmo: peito. Imediatamente após hidratar-se e relaxar com a mamada, voltou a dormir. A despeito da TV da prima que estava ligada (em casa ela costumava acordar com qualquer barulho depois que dormia, mas recentemente nem testamos mais, pra não incomodá-la, mas pelo visto ela nem daria bola; mas quem sente falta de TV, hein?); a despeito da ausência do barulhão do ventilador (confesso que eu é quem sinto falta, hehehe), a despeito do barulho fora do quarto; a despeito do entra e sai da priminha no quarto (e, depois que a prima foi dormir o entra e sai foi dos adultos pra ver se estava tudo em ordem com as duas) ela dormiu divinamente bem. Me surpreendeu mesmo!
Na hora que fui dormir, deitei com ela. Foi tudo de bom ficar coladinha com a filhota. Confesso que demorei muito pra dormir, contemplando-a. Sentindo o cheirinho que ela tem e observando as caras e bocas lindas que faz quando está dormindo. E vendo como ela está crescendo. E observando também como estamos crescendo e aprendendo com ela.
No dia de hoje ela teve outros primeiros. Um muito-muito legal, que foi um banho de piscina. Eu adoro piscina e tinha certeza que ela também adoraria. E ela adorou. Tenho certeza que a lembrança que ela teve ao sentir a água foi a de quando ela era um girino na minha barriga. O sorriso dela foi digno de porta retrato na hora que sentiu a água morna envolvendo seu corpo. Muito gostoso! O outro primeiro foi a papinha industrializada. Eu cuspi pra cima, o cuspe caiu na minha testa. Sempre disse que adiaria ao máximo o uso e blá, blá. Eis que hoje, não estando em casa, acabei oferecendo papinha industrializada de peru, legumes e arroz (cardápio natalino, mas foi coincidência). Não vai ser frequente, mas foi o que deu pra oferecer hoje, mesmo a contragosto. Por falar em gosto, ela gostou, comeu mais da metade! É pra achar isso bom ou ruim?
No finalzinho da tarde, voltamos para casa felizes, nós três, eu, marido e filhota. Volta a rotina, bebê cansadona, mamou e capotou em 15 minutinhos. Agora ela dorme o gostoso soninho dos inocentes e justos. O sono do finzinho do seu primeiro Natal.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Respeito é uma das faces do amor
Minha filhota acabou de pegar no soninho. Ela não costuma dormir tão tarde não. Geralmente fazemos uma sequência de eventos pra ajudá-la a prever que é hora do sono: shantala + banho morninho + mamar = dormir. Mas hoje não deu muito certo. E o mesmo ocorreu há dois dias.
Fico me perguntando o que houve pra que ela tenha despertado de perdido o sono. Anteontem ela chegou a cochilar após o "ritual" e depois de 1 hora de sono - ainda comigo no quarto - acordou como se tivesse dormido uma noite inteirinha. Ontem seguiu a rotina de todos os dias. Hoje, novamente, não.
Hoje ela havia dormido mais do que frequentemente dorme durante a tarde: dormiu das 15h e uns minutinhos até quase 18h. Cerca de 2 horas e meia. Eu sabia que isso iria afetar o sono da noite, mas acho um desrespeito acordar alguém, não gosto de ser acordada sem necessidade e não é porque minha filha é um bebê que não merece o mesmo respeito.
Pois bem, acordou tarde para o passeio vespertino, mas mesmo assim trocamos a roupinha dela e saímos para uma volta no quarteirão com pit stop na padaria. Geralmente ela fica meio enjoadinha durante a hora do nosso jantar - meu e do papai dela - mas hoje ela estava "de boa". Após o jantar, seguimos os passos típicos de organização da casa pra ela dormir, mas deixei que ela ficasse acordada um pouco mais de tempo, para que o sono chegasse com vontade. Ela não demonstrou cansaço, então, por conta do horário, decidimos mesmo assim seguir a rotina do sono.
Fiz a massagem dela sem que ela reclamasse. Oba! Nos últimos dias eu até já havia pensado em desistir de fazer a shantala, mas hoje ela aceitou, curtiu, sorriu, ficou feliz - e esse é o objetivo. Depois dei seu banho morninho com chá de camomila na água. Em seguida, mamar no quarto já escurecido. Achei que o sono viria fácil, uma vez que no banho ela já havia choromingado. Ledo engano. O choro era de fome! Eu já desconfiava, pois ela havia mamada fazia umas 4 horas, estava faminta (o padrão dela é mamar em intervalos de 2 horas e meia, em média).
Conformada com o não sono dela, resolvi sair do quarto até que o sono dela chegasse, procurando me ocupar de outras atividades. Num dado momento ela começou a choromingar de novo. Eu, crente que era sono, pedi ajuda do papai para dar-lhe mais um banho - ela estava molhada de suor - e tentar "fazer-lhe" dormir. Na hora de colocar a roupa pra dormir, Isis começou a coçar os olhinhos fechados. Eu tinha certeza que era o sinal perfeito de que ela estava com sono mesmo. Mas algo estranho aconteceu.
Entrei no quarto com ela e, como sempre, coloquei-a pra mamar, mas ela não quis. Começou a chorar, primeiro um chorinho, depois um chorão! Tentei o outro peito, nada. Coloquei-a na cama, ela elétrica. Começou a brincar, balbuciar, rolar, rastejar pra trás (nova habilidade que está em treinamento, coisa mais linda!). Eu fui ficando nervosa, tentando não demonstrar pra ela esse nervosismo. Acho que bebês têm radares ultra-super-mega poderosos e ela deve ter sacado que eu estava nervosa. Depois de tentar o uso de todas as suas habilidades, minha bebê começou a chorar um choro que crescia. Ia ficando maior e mais forte.
Dei colo, peito, o outro peito. Um ombro, o outro ombro. Fiquei em pé com ela, ninando. Nada fazia o choro parar. Nada. Nada! Eu comecei a ficar preocupada. Percebi que ela nem abria o olho durante o choro. Estava exausta, coitadinha, e não conseguia dormir. Fui até a cozinha e falei pro marido, que estava no banho, que estava preocupada com tanto choro e que, caso não cessasse, eu iria levá-la para o hospital. E o choro continuava.
Voltei pro quarto com ela em prantos desesperados (e desesperadores) e deitei com ela do meu lado, última coisa que fazemos todos os dias antes dela dormir, ato que se repete sempre que ela acorda de madrugada. Milagre. De repente o choro cessou, ela acalmou-se e dormiu em poucos minutos.
Fiquei pensando: tudo que ela queria era a segurança de sempre para poder dormir. Ela tentou fazer de outras formas, usou todas as habilidades que possuia, mas não conseguia dormir. Nem meu colo acalentava ela, ela sentia que faltava algo, se desesperou porque não sabia me comunicar isso. Imaginem a angustia que isso deve gerar para o meu pequeno ser.
Fiquei pensando também na triste sorte do bebê de quem acredita que bebês fazem manhas, que bebês precisam chorar pra dormir, que se deixar chorar eles se acostumam e dormem. Minha filha tinha uma necessidade real: precisava de ajuda para dormir. Pense comigo: se ela tem fome eu alimento-a, se ela não sabe assear-se eu dou seu banho e troco a sua fralda, se ela não sabe andar eu carrego-a. Mas se não sabe dormir eu deixo-a chorando?
Mãe não adivinha necessidades não. Mãe observa o filhote e tenta entender o que ele precisa. Não é fácil, afinal nos conhecemos há tão pouco tempo! Mas hoje fiquei muito feliz por ter conseguido perceber que tudo que ela precisava era da segurança de deitar-se do meu lado, juntinho de mim, no meu peito, para que o sono chegasse e ela se entregasse a ele.
Apesar do choro desesperado que presenciei, não sai do seu lado, não a abandonei à própria sorte. Acalentei-a e conversei com ela durante o choro. E, quando ela acalmou-se, expliquei pra ela que estava tudo bem e que ela podia ficar tranquila, que eu não havia compreendido o que ela precisava, mas que agora eu sabia e que ela teria. Mas que, mesmo antes, ela estava protegida e estava tudo bem.
Espero que ela se sinta segura não só por agora, mas que cresça confiante, sabendo que tem com quem contar, alguém que a ama incondicionalmente, mesmo quando não compreende suas necessidades de imediato. Alguém que vibra de felicidade quando descobre o que ela precisa e pode dar de maneira desmedida.
Fico me perguntando o que houve pra que ela tenha despertado de perdido o sono. Anteontem ela chegou a cochilar após o "ritual" e depois de 1 hora de sono - ainda comigo no quarto - acordou como se tivesse dormido uma noite inteirinha. Ontem seguiu a rotina de todos os dias. Hoje, novamente, não.
Hoje ela havia dormido mais do que frequentemente dorme durante a tarde: dormiu das 15h e uns minutinhos até quase 18h. Cerca de 2 horas e meia. Eu sabia que isso iria afetar o sono da noite, mas acho um desrespeito acordar alguém, não gosto de ser acordada sem necessidade e não é porque minha filha é um bebê que não merece o mesmo respeito.
Pois bem, acordou tarde para o passeio vespertino, mas mesmo assim trocamos a roupinha dela e saímos para uma volta no quarteirão com pit stop na padaria. Geralmente ela fica meio enjoadinha durante a hora do nosso jantar - meu e do papai dela - mas hoje ela estava "de boa". Após o jantar, seguimos os passos típicos de organização da casa pra ela dormir, mas deixei que ela ficasse acordada um pouco mais de tempo, para que o sono chegasse com vontade. Ela não demonstrou cansaço, então, por conta do horário, decidimos mesmo assim seguir a rotina do sono.
Fiz a massagem dela sem que ela reclamasse. Oba! Nos últimos dias eu até já havia pensado em desistir de fazer a shantala, mas hoje ela aceitou, curtiu, sorriu, ficou feliz - e esse é o objetivo. Depois dei seu banho morninho com chá de camomila na água. Em seguida, mamar no quarto já escurecido. Achei que o sono viria fácil, uma vez que no banho ela já havia choromingado. Ledo engano. O choro era de fome! Eu já desconfiava, pois ela havia mamada fazia umas 4 horas, estava faminta (o padrão dela é mamar em intervalos de 2 horas e meia, em média).
Conformada com o não sono dela, resolvi sair do quarto até que o sono dela chegasse, procurando me ocupar de outras atividades. Num dado momento ela começou a choromingar de novo. Eu, crente que era sono, pedi ajuda do papai para dar-lhe mais um banho - ela estava molhada de suor - e tentar "fazer-lhe" dormir. Na hora de colocar a roupa pra dormir, Isis começou a coçar os olhinhos fechados. Eu tinha certeza que era o sinal perfeito de que ela estava com sono mesmo. Mas algo estranho aconteceu.
Entrei no quarto com ela e, como sempre, coloquei-a pra mamar, mas ela não quis. Começou a chorar, primeiro um chorinho, depois um chorão! Tentei o outro peito, nada. Coloquei-a na cama, ela elétrica. Começou a brincar, balbuciar, rolar, rastejar pra trás (nova habilidade que está em treinamento, coisa mais linda!). Eu fui ficando nervosa, tentando não demonstrar pra ela esse nervosismo. Acho que bebês têm radares ultra-super-mega poderosos e ela deve ter sacado que eu estava nervosa. Depois de tentar o uso de todas as suas habilidades, minha bebê começou a chorar um choro que crescia. Ia ficando maior e mais forte.
Dei colo, peito, o outro peito. Um ombro, o outro ombro. Fiquei em pé com ela, ninando. Nada fazia o choro parar. Nada. Nada! Eu comecei a ficar preocupada. Percebi que ela nem abria o olho durante o choro. Estava exausta, coitadinha, e não conseguia dormir. Fui até a cozinha e falei pro marido, que estava no banho, que estava preocupada com tanto choro e que, caso não cessasse, eu iria levá-la para o hospital. E o choro continuava.
Voltei pro quarto com ela em prantos desesperados (e desesperadores) e deitei com ela do meu lado, última coisa que fazemos todos os dias antes dela dormir, ato que se repete sempre que ela acorda de madrugada. Milagre. De repente o choro cessou, ela acalmou-se e dormiu em poucos minutos.
Fiquei pensando: tudo que ela queria era a segurança de sempre para poder dormir. Ela tentou fazer de outras formas, usou todas as habilidades que possuia, mas não conseguia dormir. Nem meu colo acalentava ela, ela sentia que faltava algo, se desesperou porque não sabia me comunicar isso. Imaginem a angustia que isso deve gerar para o meu pequeno ser.
Fiquei pensando também na triste sorte do bebê de quem acredita que bebês fazem manhas, que bebês precisam chorar pra dormir, que se deixar chorar eles se acostumam e dormem. Minha filha tinha uma necessidade real: precisava de ajuda para dormir. Pense comigo: se ela tem fome eu alimento-a, se ela não sabe assear-se eu dou seu banho e troco a sua fralda, se ela não sabe andar eu carrego-a. Mas se não sabe dormir eu deixo-a chorando?
Mãe não adivinha necessidades não. Mãe observa o filhote e tenta entender o que ele precisa. Não é fácil, afinal nos conhecemos há tão pouco tempo! Mas hoje fiquei muito feliz por ter conseguido perceber que tudo que ela precisava era da segurança de deitar-se do meu lado, juntinho de mim, no meu peito, para que o sono chegasse e ela se entregasse a ele.
Apesar do choro desesperado que presenciei, não sai do seu lado, não a abandonei à própria sorte. Acalentei-a e conversei com ela durante o choro. E, quando ela acalmou-se, expliquei pra ela que estava tudo bem e que ela podia ficar tranquila, que eu não havia compreendido o que ela precisava, mas que agora eu sabia e que ela teria. Mas que, mesmo antes, ela estava protegida e estava tudo bem.
Espero que ela se sinta segura não só por agora, mas que cresça confiante, sabendo que tem com quem contar, alguém que a ama incondicionalmente, mesmo quando não compreende suas necessidades de imediato. Alguém que vibra de felicidade quando descobre o que ela precisa e pode dar de maneira desmedida.
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