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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Primeiro trimestre

Não queria perder a oportunidade de registrar tudo o que vivi nos últimos três meses da minha vida (e os três primeiros da vida da minha filha). Sei que não vai ser possível registrar tudo, mas pelo menos um pouco da jornada dessa minha nova vida gostaria de deixar escrita para que no futuro a minha pequenina possa conhecer um pouco mais sobre sua origem (afinal é para isso que existe esse cantinho). Então vamos lá!

1º mes (0 a 1 mês): minha recém nascida era (olha só, eu me referindo a minha pequena no passado!!! - o tempo voa), desde sempre, muito exigente! Aquela coisinha pequenina, de olhinhos inchados, corpinho pequenino e cheirinho bom, mamava e chorava o tempo todo! É, ela demonstrava muita destreza nessas duas habilidades, hihihi! Os 15 primeiros dias foram de muita ansiedade, choro (de ambas as partes). Mãe fresca sofre: pega errada, bico do peito fissurado, noites sem dormir. Sabe, minha pequena ficou sem urinar direito por uns dias e eu saquei que algo estava errado. E estava: a forma como a minha bezerrinha mamava. Por isso ela nunca se satisfazia. Por isso ela não tinha urina suficiente. Por isso ela chorava ainda mais do que a gente supõem que deve chorar um recém nascido. Uma visita (aliás, três) ao banco de leite da Maternidade Escola Santa Mônica ajudaram muito, muito mesmo! Sou grata até hoje e recomendo que toda mãe saia direto da maternidade onde tiver seu filhote (para o caso de quem não tiver parto domiciliar, claro) pra um banco de leite. E em meio a tudo isso... visitas, muitas visitas, as vezes bem na hora que eu queria tirar um cochilo. Eu chorava e chorava. E pensava: como posso não me sentir exultando de felicidade se tudo que eu mais queria - ter minha filha em meus braços - era um fato? Bem, descobri porque usam a tal frase "ser mãe é pra descer padecer do no paraíso". É doce, mas não é mole não! E mãe de recém-nascido é pára-raios de palpites, nem precisa pedir! E tive palpites profissionais! É, muitos profissionais de saúde vieram me dizer que eu precisava acordar a minha filha pra mamar. O resultado foram mãe e filha ultra-mega-hiper estressadas. Mas o tempo foi passando e nem tudo era assim tão difícil. As ideias foram clareando, assim como o cocô da filhota (é no começo é quase preto, mecônio...). Ela foi aprendendo a diferenciar o dia da noite e as vezes dormia 5 horas seguidas. Maravilha! E no final do primeiro mês, o primeiro sinal de interação da minha pequenina: um sorrisinho! Ufa, isso me deu fôlego pra chegar ao segundo mês. =)

2º mês (1 a 2 meses): esse voou! Minha garotinha cada vez maior; ainda chorando um tantão, ainda mamando um tantão, mas já sorrindo mais. Amamentaão estabelecida, horas de sono noturno mais regulares. No final do segundo mês minha cria descobriu suas mãozinhas e isso a divertia (e ainda a diverte) bastante. Também no final do segundo mês o sorrisão virou sorrisão, com muita vontade, lindo, lindo, lindo! Ainda não ficou fácil, mas a medida que os babies crescem vai ficando mais gratificante, o retorno vai sendo maior. Não que o amor seja condicional, não é isso, mas a gente fica menos cansada, isso é fato, hehehe. Mas não tão menos assim. =P

3º mês (2 a 3 meses): e cadê a minha pequenina recém nascida, hein? Aquela, que nasceu com 3 quilos e só um tiquinho? Já está com mais de 6 quilos! Já fica em outros colinhos sem chorar. Já dá gargalhadas (mas só a mamãe teve o privilégio de ver e ouvir, coisa mais linda)! Já fica com o pescoço durinho! Já rola 180º! Hum, ainda gosta muito de chorar e de mamar. Já não dorme tanto quanto antes. Aliás, o sono diurno dela é uma preocupação constante dessa que vos fala, pois minha menina esperta que olhar tudo que está ao seu redor, por isso dorme pouquinho de dia. Isso a deixa super irritada, o que no final produz chorinho. O seu início de dia é sempre de sorrisos e bom humor, mas o final da tarde é seu antônimo! Pra dormir, muitos minutos de peito! Parece que ela sabe que vai passar muitas horas sem mamar - sono noturno (e deve saber, deve estar em seu DNA, né?) e por isso fica por cerca de 1 hora e meia mamando muuuuito, rs. Mamãe nem sempre fica naquela paz de espírito, estou lutando pra desenvolver esse "dom", mas acho que estou entendendo melhor essa necessidade do meu rebento.

Minha pequena é muito esperta, inteligente, comunicativa. Hum, tá, ela gosta de reclamar da vida, mas acho que essa característica é culpa da mamãe. Papai tem uma paciência de Jó, comigo e com ela. Ele está frito, tadinho, terá que aguentar as duas, hehehe. Todas as manhãs tenho o prazer de ver seu sorrizinho. Além de tudo isso ela é a menina mais saudável do mundo! Perfeitinha, regada à leite materno! Não sei o que o futuro nos reserva, mas estou certa que o futuro sempre nos guia a algo melhor. Acreditar nisso me faz a paciência crescer, aumentar.

Não é fácil ser responsável pela formação de um ser humano. Esses primeiros anos/meses são cruciais, importantíssimos! Quero deixar gravado no inconsciente da minha filha as melhores impressões. Quero que ela sinta e saiba que e muito amada, querida, aceita. Ninguém disse que é fácil, mas é gratificante. E vamos seguir. Em frente e para o alto!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O sono dos justos

Depois de dois dias dormindo praticamente a madrugada toda, acordando apenas 1 vez pra mamar e já as 4 horas da manhã, mamando rapidinho e voltando a dormir logo em seguida, essa madrugada teve baile.

Minha pequena resolveu que mamãe estava muito tranquilinha com essa história de dormir 6 horas seguidas e só acordar 1 vez na madrugada pra mamar. Acordou 1 hora, mamou até 1h30min. Acordou as 2h, fralda trocada, mamou até 2h30min. Choromingou no bercinho. Era choro de fralda suja, mas a fralda havia acabado de ser trocada. Deixei choromingar. Ela persistiu, insistiu. Apaguei o abajur, ela continuou o chorinho. Mamãe teve remorso e foi dar mamar. O remorso aumentou: sim, a fralda estava mesmo suja, havia vazado (meu marido colocou uma noturna, que vaza; eu tenho usado a tripla da turma da Mônica, a única que tem segurado de madrugada)..

No fim das contas acho que minha pequenina exigente só acordou esse tanto pq: 1) estava com calor na primeira parte da noite. 2) A fralda vazou.

Depois disso, voltei pro cantinho dela adormecer: a rede da sala. Ela dormiu rápido, mas já era 4 da manhã. Dormiu até as 7 diretinho. Acordou com fominha e mamãe com soninho. O resultado dessa equação é bebê deitada do lado da mamãe na cama e mamãe acordando mega cansada!!! Mas tudo bem, dormimos, não é isso que importa?

O fato é: ela ficou tão cansada quanto eu com essas acordadas e a prova é que minha catotinha ainda está lá, dormindo. Um soninho tão lindo e angelical, tão gostoso de se ver! Enquanto espero ela acordar dei um pulinho aqui e em seguida vou tomar um banho. Porque o resto do dia é bebê no colo!

Preciso, preciso voltar aqui e falar sobre a amamentação, sobre a adaptação inicial minha com minha pequenina. Falar de ônus e bônus de ser mãe. Mas é justamente por causa de um dos ônus, o de ter menos tempo pra si, que não consigo voltar pra falar sobre esses assuntos. Um dia, com mais tempo, mãos e cérebro disponíveis eu volto sim!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tanta coisa pra escrever...

...mas completamente sem tempo pra me concentrar na tarefa. Ultimamente só tenho conseguido fazer uso, no máximo de 1 mão. as vezes as duas estão ocupadas.

Por enquanto atualizo que Isis está uma fofa, bochechuda e com muitas dobrinhas surgindo, resultado de muito leite da mamãe. Exclusivo sim, nada de Nan, nem chás, nem frutinhas e nem água. Saúde? Sim, de ferro! Está super espertinha, "conversando", sorrindo, brincando com as mãozinhas. Um amor. Está com 2 meses. E eu? Cansada, mas feliz e orgulhosa por meu rebento. Volto depois com novidades, inspiração não me falta!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Nascimento da Isis, renascimento meu!

Em primeiro lugar, gostaria de destacar que qualquer glamour que possa aparecer nesse relato é posterior a ele. Estar em trabalho de parto me fez sentir muito mulher, na essência da palavra. Fêmea mesmo.




Dia 16 de junho de 2010. 40 semanas e dois dias de gestação e muita ansiedade. Acordei com uma forte dor no estômago, náuseas e vomitando muito. Quis lembrar o que teria comido pra me fazer tão mal assim, mas nada de diferente havia na minha rotina do dia anterior. Vomitei muito, absolutamente tudo que havia no meu estômago. Além disso, eu percebi que tinha um sangramento semelhante ao de uma menstruação. Meu marido ficou um tanto assustado e resolveu ligar para o meu obstetra, que falou: pode ser o corpo dela “limpando”, se preparando.



Foi-nos sugerido procurar a emergência do hospital para diminuir o mal estar. E fomos, porque eu sentia muita dor no estômago e absolutamente nada parava dentro dele. Meu obstetra foi até lá, me examinou e verificou: nenhuma dilatação, o que eu estava sentindo poderia até ser um trabalho de parto latente, mas, segundo ele, os sintomas poderiam cessar e minha filha nascer dali a uma semana, por exemplo. Ou poderia ser dali a algumas horas...



Depois de receber hidratação venosa, algo que aliviasse a dor no estômago e um protetor gástrico, fui liberada para ir pra casa. Chegando em casa, comecei a sentir dores abdominais e pensei : “hum, acho que agora começou”. Fiquei numa espécie de topor, tentando adormecer, mas sentindo contrações que ora ficavam próximas, ora mais espaçadas. Eram suportáveis, mas incomodas. Não sei a que horas exatamente cheguei em casa, mas já passava das 14 horas. Não conseguia me alimentar, então o jeito que meu corpo encontrou para poupar energia para o parto foi ficar letárgico, trazer-me um sono incomum. Aproveitei e dormi o quanto pude entre uma e outra contração.



Chegou a noite e meu marido, que o tempo todo esteve junto, tentando dar assistência, começou a ficar angustiado por eu não conseguir me alimentar. Tentei gelatina, água de coco, papinhas industrializadas para bebês, mas nada parava no estômago. Resolvi parar de brigar com a natureza e desisti de me alimentar. Meu marido decidiu entrar em contato com o meu obstetra, mesmo eu dizendo a ele que não precisava, que ainda não estava na hora. Pois bem, mesmo assim ele ligou e o médico pediu que fôssemos até o consultório. Mesmo com dores, frio e debaixo de chuva eu aceitei ir, queria saber a quantas andava o processo.



Chegamos no consultório por volta das 19 horas. Depois de ser examinada, fiquei bastante decepcionada com o que ouvi do médico: apesar do útero estar “amolecido”, bebê mais baixo, eu não estava nem com 1 centímetro de dilatação ainda. O trabalho de parto poderia demorar horas, avisou o médico. Sai de lá decidida a só ir ao hospital na manhã seguinte.



Voltando pra casa, as contrações – e as dores – se tornaram mais intensas, embora eu ainda conseguisse um pouco de serenidade entre uma contração e outra. Minha mãe chegou, trazida pelo meu irmão e minha cunhada; minha sobrinha de dois aninhos veio junto e até consegui dar um beijinho nela no intervalo das contrações.



Eu queria muito a presença de uma doula em meu trabalho de parto, mas precisei me arranjar comigo mesma. Meu lugar preferido durante as contrações era a cadeira de balanço, ou uma caminhada pelo corredor de casa. Luzes apagadas, claro. Eu nem sabia, mas já estava em trabalho de parto ativo.



As 22 horas meu marido e minha mãe sugeriram que eu aceitasse ir ao hospital. Eu, a princípio, relutei. Não queria. Mas as dores estavam intensas, contrações próximas (cerca de 2 a 3 minutos de intervalo) e estavam bastante regulares. Aceitei, decidi que iríamos sim. Capítulo a parte foi esperar o táxi: dia de chuva, àquela hora, demorou cerca de 40 a 50 minutos pra chegar. Durante as contrações eu gritava e reclamava da vida, mas dentro do táxi me comportei "muito bem", para não assustar o taxista; apenas apertava a mão da minha mãe e tentava não brigar com a contração, algo que me parecia impossível. Eu simplesmente esqueci que precisava respirar durante a contração. Como me fez falta uma doula!



Ao chegar no hospital, música para os meu ouvidos: o médico plantonista disse que eu estava com 7 centímetros de dilatação! Ah, que maravilha! Trabalho de parto ativo, tudo indo muito bem, obrigada! E ainda com alguma consciência entre as contrações! O médico plantonista pediu que entrasse em contato com o “meu” médico, mas ele já estava à caminho. Eu mesma pedi ao médico plantonista que avisasse à equipe do PPP do hospital que se preparasse, meu parto seria lá. Assim foi feito.



Minutos depois chegou meu obstetra. Eu estava com muito medo da intensidade das dores ficar maior, afinal a bolsa ainda não havia rompido e eu receei que a situação fugisse do meu controle (lúcido). Pedi analgesia. Eu tentei não brigar com as contrações, tentei respirar, tentei levar numa boa, mas não deu, não consegui. Infelizmente não havia fisioterapeuta no plantão, não consegui nem entrar na banheira e nem no chuveiro durante as contrações, nem vi a bola, nada.



Fui ao centro obstétrico do hospital para receber analgesia. O processo foi relativamente demorado, cerca de 40 a 50 minutos, afinal as contrações estavam bem próximas. Eu, no meu íntimo, clamava para que a analgesia funcionasse bem para poder conseguir dar conta do restante do processo. Como mágica, depois dos minutos todos que esperei, a dor deu lugar apenas às contrações. Ufa! Bem, como eu estava desidratada precisei receber soro. Tive receio que isso me limitasse para o restante do trabalho de parto, mas felizmente não atrapalhou. Ao final da analgesia, observei um relógio que havia na parede: meia noite. “Isis não nascerá mais no dia 16 de junho”, falei. Novo exame antes de sair do centro obstétrico: 8 centímetros! A bolsa rompeu e foi bom sentir aquele líquido quente escorrendo! Felizmente eu já havia recebido analgesia, assim o medo não atrapalhou o andamento do restante do trabalho.



De volta ao PPP, minha mãe e meu marido ficaram comigo o tempo todo a partir daí. Ah, achei a bola! Lembrei que alguns movimentos na bola poderiam ajudar a dilatar o restante que faltava. Fiquei na bola durante todo o restante do TP. Não havia mais dor, mas eu sentia nitidamente as contrações. É bem verdade que elas ficaram um pouco mais fracas depois da analgesia, mas eu ainda podia senti-las. Depois de um tempo comecei a sentir um “peso” no canal vaginal. Falei pro médico, que sugeriu que avaliássemos.



Ok, 10 centímetros, dilatação total! Mesmo sob efeito da analgesia, dilatei 2 centímetros em cerca de 1 hora, um pouco mais ou um pouco menos. No PPP do hospital existe uma cama que proporciona a posição semi-vertical e foi assim que fiquei nos próximos minutos. A posição era bastante confortável. Como as contrações ficaram menos intensas, acabei por receber 1 ampola de ocitocina (a contragosto, mas foi a a primeira parcela do preço que paguei pela analgesia). Não senti dor, mas as contrações ficaram um pouco mais fortes.



A partir daí, entrei na “partolândia”, não me lembro muito bem do que aconteceu. Eu sentia vontade de gritar toda vez que sentia uma contração. Sentia vontade de fazer força quando elas vinham. Não consigo lembrar do que acontecia fora de mim naquele momento. Toda minha memória dessa ocasião parece estar em câmera lenta, ou como se fossem fotografias, em flash. Lembro apenas do médico dizendo que eu estava indo bem, que Isis estava chegando. Aí veio a segunda prestação do preço que paguei pela analgesia: epsiotomia! Eu não sabia muito bem pra onde direcionar a força. Faltando duas contrações pra Isis chegar, ganhei a epsio, mesmo me esforçando muito para que ela não fosse “necessária”. Diante das circunstâncias, aceitei e deixei o resto do processo acontecer.



Mais uma contração e ela coroou. Ah, o círculo de fogo! Senti, e como senti! Não houve analgesia do mundo que me tirasse a possibilidade de sentir aquela sensação tão intensa. Outra contração e senti passar a cabeça, em seguida os ombros. Depois o corpinho. Que coisa boa sentir o corpo dela passar!



De repente olho em volta, atônita e me dei conta: nasceu, ela nasceu! Meu marido chorava! Que sensação louca! Ela veio pros meus braços do jeitinho que nasceu, ficou durante alguns minutos. Conversei com ela, senti seu cheiro. Depois levaram ela para os cuidados neonatais (fui muito mole em meu plano de parto com relação a isso, minha filha sofreu muitas intervenções). Eu perguntei, claro: “quando ela vai mamar?” “Daqui a pouco”. Depois de cerca de 30 minutos ela voltou para meus braços e pode, enfim, mamar e receber meu calor.



Minha pequena nasceu a 1h56min do dia 17 de junho de 2010, 40 semanas e 3 dias de gestação, com 3kg165g, 49 centímetros, apgar 9/10 e capurro de 40 semanas. Muito saudável e perfeita. Num parto que foi uma grande vitória. Que também foi perfeito para a Anne que existia até então. Que existia. Agora sou outra pessoa. As mudanças que experimentamos depois de parir, os cuidados com nosso bebê, o reaprender a viver, definitivamente, nos transformam em outra pessoa. Isis nasceu. Eu renasci.

terça-feira, 15 de junho de 2010

40 + 1

E minha filha responde com silêncio e tranquilidade à minha ansiedade...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

40 semanas

Eu pensei que estaria mais tranquila, esperando docemente, mas ao contrário disso não vejo a hora de receber nos meus braços o sonho que venho embalando há muito mais de 9 meses (pois minha pequena foi gestada no cérebro antes de sugir no meu ventre).

Não quero que as coisas aconteçam nem antes de nem depois do tempo apropriado. Quero que minha filha chegue plana, no dia que escolher e desejar. Será um dia muito feliz, um dia esperado, sonhado, desejado. Não estou cabendo em mim de felicidade por saber que em dias  - ou quem sabe horas - receberei o maior presente que o amor pode dar.

Está tudo pronto, agora só falta você, filha! Estamos esperando! Pode vir! Vamos te receber com muito amor aqui, do lado de fora do ventre da mamãe. Amamos você! 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Esperando

Estamos com quase 40 semanas. Completaremos segunda-feira. Ao contrário do que muitos possam imaginar, não estou tão curiosa quanto poderia com relação à cor dos olhos da filhota, se terá muito ou pouco cabelo e nem se parecerá comigo ou com o pai.

Na verdade não é pressa o que me faz pensar no parto. Eu penso em como e quando nosso momento chegará. Tenho algumas coisas idealizadas. Sonho com um trabalho de parto que pode até ser intenso, "doloroso", mas que não seja extremamente demorado. Nem é falta de paciência minha, é receio que, na hora P, acabe sendo pressionada a fazer um procedimento cirúrgico por "sofrimento médico". Quero muito que o tempo do nascimento seja respeitado, mas sei o quanto é difícil, por isso converso muito com minha filhinha e comigo mesma, pra que tudo aconteça num tempo rasoável.

A emoção que - imagino - sentirei no nascimento de meu rebento é o que mais tem recheado meus dias e meus pensamentos nas últimas semanas. Cada movimento mais intenso, cada puxo ou fisgadinha na barriga tem sido motivo de muita alegria. Sim, desejo ardentemente sentir a "dor" do parto. Assim, entre aspas, porque passei a acreditar piamente que chamamos de dor por convenção, por medo, mas que o parto pode ser uma experiência prazerosa. Quem disse que não? Quem inventou que parto não combinado com prazer? Prazer de trazer à luz um novo ser. Prazer de gerar uma vida. Vida desejada, planejada. Isso pra mim não pode ser penoso, é motivo de alegria e alegria não rima com dor.

Quero muito, muito mesmo, vivenciar essa experiência. Sentir meu ventre contraindo-se, meu corpo abrindo caminho para minha descendente chegar ao mundo. É fantástico saber que o parto começa no bebê, no cérebro dele, que faz com que meu corpo desperte também hormônios para que nossos corpos trabalhem juntos. É impressionante a perfeição desse acontecimento. É, é assim que acontece (leiam sobre isso aqui: hormônios do parto)!

Minha cabeça está focada na chegada da minha filha. Tudo o mais tenho deixado, meio sem querer, em segundo plano. Encerro essa postagem aqui porque preciso terminar um trabalho. O último pra sair de licença sem pensar em trabalho. Quero dedicar-me exclusivamente à minha filha, pelo menos até quando minha licença permitir. Quero mergulhar de cabeça na maternidade.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Amigos virtuais?

Mina filha chegará em uma época na qual o mundo é, ao mesmo tempo, gigante e minúsculo. Depois da internet, as relações mudaram. Aliás, sem internet ela nem teria sido gerada. Calma, ela não fiz download dela não, mas eu e o papai dela nos conhecemos há 10 anos em uma sala de bate-papo da UOL. =) Faz tempo, hihihi!

Aprendi muito, mas muito mesmo sobre gestar, parir e maternar aqui mesmo, na internet. Conheci pessoas valiosíssimas, sem as quais nem sei como teria passado certas situações da minha vida. Muitas vezes a tela do computador foi minha companheira. Aliás, a tela nada, tela é fria, não tem sentimentos. Quem segurou muitas barras minhas foram as pessoas de carne e osso lá do outro lado da tela. Não posso citar nomes, eu seria muito injusta.

Através da internet conheci muita gente que luta pelas mesmas causas que eu, que tem buscas e aspirações semelhantes às minhas. Graças à internet deixei, determinadas vezes, de me sentir um ET por pensar diferente. Encontrei pares. Também achei pessoas muito diferentes de mim, mas que me fizeram crescer também, aprender.

Acho que posso afirmar que meu ciclo de amigos da internet, se não for maior que os presenciais, é no mínimo equivalente. Claro, é preciso ter critérios pra se deixar conhecer e relacionar com pessoas que estão longe, mas os de perto também podem trazer decepções. Então distância não me assusta, não me faz menos crente nas pessoas. Talvez mais criteriosa, mas isso com os de perto também.

Esse papo todo é pra agradecer as pessoas que demonstram carinho por mim e por minha filhota todos os dias. Através de palavras e de gestos. No comecinho da gestação ganhei um presente lindo, um CD enviado pela  amiga Luzinete, seu esposo Renato e seu bebê Francisco. Melodias de ninar com sons do útero ao fundo. Os sons me vêm à mente quando falo no CD, rsrsrs.

Acabo de receber agora uma caixinha cheia de presentinhos pra minha pequena. Mas não são os presentes que encantam, apesar de lindos. É o carinho, sabe? Saber que cada coisinha que foi enviada foi escolhida por alguém que se interessa por mim e pela minha pequena foi encantador. Foi um grupo de A.M.I.G.A.S. que me enviou. 

Gente, obrigada demais por tudo: pela força, pelo carinho, pelas palavras, pela amizade. Essa carga de endorfina que a filhota acaba de receber... não tem preço e nem presente que pague! Foi o carinho que me fez ficar emocionada!

A caixinha e os presentes enviados pelas amigas de longe... e de perto, de dentro do coração.

sábado, 5 de junho de 2010

Paciência, muita mesmo...

Tenho aprendido, depois de grávida, que há coisas que não podemos controlar. É bem verdade que isso por conta das minhas escolhas. Decidi, por exemplo, que minha filha virá no tempo dela, o que significa esperar e ter paciência.

Aliás, paciência é sobrenome de mãe. Mas também a depender das escolhas que fizer. Pretendo não oferecer bicos artificiais (chuquinhas, mamadeiras, chupetas - embora a avó tenha comprado duas); quero amamentar em livre demanda e dar muito, muito colo, viver grudada com minha filhota.

Engraçado, há pessoas que se importam com criança que passa muito tempo no colo, mas não com as que crescem com uma chupeta na boca. Há quem se preocupe em criticar amamentação prolongada, mas ninguém se admira de quem consome leite de outro animal, mesmo anos depois do desmame (que outro animal além do homem consome leite até a idade adulta - e de outra espécie?).

Minha filha vai experimentar sling, banho de balde, amamentação em livre demanda e exclusiva por 6 meses (depois prolongada, mesmo com a introdução de outros alimentos), muito colinho do mãe e do pai. Vai dormir bem pertinho de mim. Se é o melhor, se isso é modelo? Não sei! Mas acho que são opções que couberam pra mim e vou adotá-las seguindo meu instinto.

A gente quando decide ser mãe tem que ter muuuuuita paciência. Mas muita paciência messsssssmo. Talvez mais paciência com a opinião alheia do que com o próprio bebê.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta da Nona Lua - O parto tem seu próprio tempo

por Flávia em 09/05/2010 (do Projeto Maternidade Consciente)
paciencia
Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.
Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora. Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós. Desejo-te.
Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo. Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura.Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.
Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem. Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!
Tempo e Espaço
O Parto tem seu próprio tempo
Tempo frugal
Tempo sem pressa
Tempo que se acha
Tempo que se dá
Tempo que procria
Tempo que se cria
Tempo que se cri- ança
Tempo que se cansa
Tempo que se dança
Tempo que deságua
Tempo sem mágoa
Tempo que demora
É tempo sem hora…
O parto tem seu próprio espaço
Espaço sem lugar
Espaço de esperar
Espaço que se faz
Espaço que se abre
Espaço que se tem
Espaço que contém
Espaço que se dança
Espaço que se água
Espaço que se bola
Espaço que rebola
Espaço que se embola
Espaço de ir embora
É espaço de ir, em boa hora
Tempo sem drama
Espaço de trama
Hora de criança
Lugar de mulher
Autora: Flávia Penido


Recebi o link do texto acima pela própria autora, que parece ter lido meus pensamentos antes de escrevê-lo. Me fez chorar de tão lindo, tão expressivo. Como se eu mesma tivesse escrito, do tanto que penso igual...